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Desafio à criatividade para lançar o Movimento Viva W3

Vanessa Mendonça, secretária de Turismo, convidou entidades, designers e grafiteiros para ampliar o apoio ao projeto de transformação da área em corredor turístico-cultural; o primeiro foco é repaginar a 507 Sul

Desafio à criatividade para lançar o Movimento Viva W3 Painel terá Niemeyer, Marianne, Lucio, Burle, Athos e JK. Imagem: Distrito W3 / Setur-DF

A Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF) apresentou um desafio inédito a representantes de entidades de design e de arquitetura, além de designers e grafiteiros renomados: transformar o Projeto Viva W3, instituído há um ano, em um movimento voltado à criação de um corredor turístico-cultural nessa avenida, umas das principais de Brasília, que abriga o mais tradicional polo econômico da cidade.

Em reunião com agentes do segmento criativo do DF, na sexta-feira passada (2), a secretária de Turismo, Vanessa Mendonça, anunciou que a pasta começará a analisar nesta semana propostas para lançar o movimento. Também vai estudar sugestões para uma intervenção urgente na 507 Sul como marco do projeto de revitalização da W3. Na reunião também falou sobre o projeto a secretária executiva de Acompanhamento e Monitoramento de Políticas Públicas da Secretaria de Governo (Segov), Meire Mota.

“Vamos já começar com esse movimento [de revitalização da W3]. Isso não é uma marca apenas. É um movimento. É isso que nós precisamos imprimir na W3. Vocês têm uma W3 inteira para pensar”, destacou a gestora de Turismo, ao lançar o desafio aos participantes do encontro. Na avaliação dela, a causa a favor da nova W3 como Distrito Criativo tem que ir além do Governo do Distrito Federal (GDF) com criatividade. “É preciso chegar aos moradores”, pontuou.

A secretária executiva de Políticas Públicas, Meire Mota, destacou que o Projeto Viva W3 já consolidou apoio significativo. “Antes, houve até manifestações preconceituosas de que a abertura representaria a favelização da W3. Agora temos mais de 80% de aprovação de empresários e de frequentadores da área”, comparou, referindo-se a pesquisas realizadas pela Fecomércio-DF e pela Codeplan (Companhia de Planejamento do Distrito Federal), com o apoio da Setur-DF.

Durante a reunião, a secretária Vanessa Mendonça apresentou o projeto do GDF para a revitalização da W3. No item do Distrito Criativo, está prevista a criação do Complexo de Atividades Sociais e Inovação (Coasi) no prédio do antigo Cine Cultura.

Faz também parte do projeto do GDF, para a área, a criação do Distrito W3, que compreende pinturas de painéis dos ícones da criatividade em Brasília nas fachadas lateral e frontal do prédio do Cine Cultura na 507 Sul.

No painel lateral superior, um artista fará o retrato em arte urbana de 6 personagens da concepção de Brasília: o fundador da capital, Juscelino Kubitschek; o arquiteto Oscar Niemeyer, o urbanista Lucio Costa, o paisagista Burle Mark e os artistas plásticos Athos Bulcão e Marianne Peretti. Nos painéis laterais inferior e frontais do prédio, vários artistas vão fazer releitura de desenhos dos homenageados.

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O projeto do Distrito W3 traz imagens de intervenções semelhantes em países como os Estados Unidos. “A intervenção da economia criativa de transformar espaços públicos pouco valorizados ou esquecidos por meio da arte e da cultura é uma tendência mundial”, assinalou a secretária de Turismo.

Vanessa Mendonça destacou ainda a importância turística dessa via pública para Brasília. ”Abandonada há anos, a W3 Sul é uma das principais avenidas da capital federal. Além de fazer a conexão entre a Asa Sul e Asa Norte, serve de acesso para vários pontos turísticos da cidade e abriga centenas de empresa”, detalhou.

Está prevista a criação de um Corredor Cultural, no trecho entre as quadras 503 e 508 Sul. O ponto de partida da intervenção será nas quadras 507 e 508 Sul, por reunir prédios históricos ligados a atividades artísticas de Brasília. Além do Cine Cultura, a área conta com uma escola classe onde já funcionou um dos primeiros teatros de Brasília e o Centro Cultural Renato Russo.

O corredor também abrange a 308 Sul, a chamada quadra modelo de Brasília. Fundada em 1962, a 308 Sul é uma obra de arte que reúne o trabalho de consagrados ícones de Brasília. Além do projeto do urbanista Lucio Costa, é possível encontrar obras de Oscar Niemeyer, paisagismo de Burle Marx e azulejos de Athos Bulcão. Ela foi considerada modelo porque foi a única seguiu rigorosamente o Relatório do Plano Piloto de Lúcio Costa.

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Ampliação

O Projeto Viva W3 fez um ano em junho com a abertura da avenida ao lazer, aos domingos e feriados. A nova ação fará parte das medidas adotadas pelo GDF para a reforma da avenida, com novo calçamento, melhorias nos estacionamentos e iluminação em LED, mais potente e econômica.

Vanessa Mendonça destacou que o Movimento Viva W3 deverá surgir antes da intervenção na 507 Sul, que também conta com “curtíssimo prazo” para ser realizada. “Já temos recursos, temos aqui todos os grafiteiros prontos. Devem estar loucos para começar isso. Gostaria de contar com essa contribuição para poder lançar alguma intervenção com esse movimento presente”, pontuou.

Para sugestões à intervenção, a secretária explicou que é preciso ter um foco inicial na 507 Sul, referindo-se à área do prédio a ser reformado do Cine Cultura, à calçada da escola pública da quadra e ao ponto de ônibus da área. “Vamos pensar naquele quadrado. E a gente lança ali, porque dali, gente, vai ser uma ampliação para todos os outros espaços. Não tenho a menor dúvida”, destacou.

Exportação e diversificação

Um dos participantes da reunião, Dimitri Lociks, vice-presidente da Adepro (Associação dos Designers de Produto do DF), apontou que há uma união das entidades e dos profissionais do setor criativo a favor da revitalização da W3. Ele foi um dos três profissionais da empresa Choque Design, de Brasília, que ganharam em abril o prêmio International if Awards 2021, o Oscar do Design, com o projeto Adega Cacho.

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“Uma matriz econômica voltada para a criatividade pode fazer com que a gente, retendo talentos, possa exportar serviços de criatividade”, recomendou. Sugeriu que a economia na área deve ir além da cultura, com a diversificação das atividades empresariais.

Também participaram da reunião o diretor de criação Wesley Santos, que recentemente visitou o Cine Cultura a convite da secretária de Turismo; Marcos Moreira, presidente da Adegraf (Associação dos Designers Gráficos do DF); Alexandros Xavier, associado da Adegraf; o vice-presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Distrito Federal (CAU/DF), Pedro de Almeida Grilo; e os grafiteiros Daniel Toys, Erick Derk e Mikael Omik e ainda a assistente Kathbeen Ribeiro, da Toys Omik, e Ramon Borges, assessor da Segov.

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