Ana Ferreira
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Uma série de ataques nos últimos dois dias demonstra que o embate entre taxistas e motoristas do Uber está cada vez pior. Na manhã de ontem, condutores do transporte por aplicativo protestaram em frente ao Estádio Mané Garrincha contra a agressão sofrida por quatro irmãos, na noite de terça-feira, confundidos com colaboradores da empresa particular. Mas a violência não parou por aí. E enquanto os concorrentes dos táxis cobram celeridade na aprovação do projeto de lei que os regulariza, taxistas pedem que o serviço seja rejeitado pelas autoridades.
A confusão mais recente ocorreu na tarde de ontem, também no Aeroporto JK. Rodrigo Ferreira, de 32 anos, foi ameaçado e teve o carro danificado ao buscar uma passageira.
Segundo o condutor, ao estacionar no Terminal II, dois taxistas, com pedras e barras de ferro nas mãos, se aproximaram e questionaram se tratava-se do transporte pelo aplicativo. Ao confirmar a informação, o motorista foi insultado e ouviu gritos de “você é corajoso de vir”, e “sai daqui”. Ele precisou arrancar para não ser agredido, mas uma pedra foi lançada na direção do vidro traseiro, onde a mulher embarcou, mas não foi atingida. O condutor seguiu com a passageira para a 10ª DP (Lago Sul), que investiga o caso.
Competição
“Eles (taxistas) querem impor ao cidadão uma forma de se locomover, enquanto nós oferecemos um serviço de qualidade, facilitamos a forma de pagamento e damos um tratamento diferenciado ao cliente. Não estamos aqui para tomar o lugar de ninguém, mas cabe aos taxistas se adequarem às solicitações dos usuários”, ressaltou Irwing Novoa, motorista do Uber X há nove meses.
Para ele, é preciso um posicionamento do governo perante as retaliações sofridas. “Conheço vários colegas que tiveram carros danificados, quando não são as agressões físicas. O vandalismo ocorre com nosso objeto de trabalho”, reclama.
Irwing considera o episódio de agressão contra uma família inadmissível e intolerável: “Chegamos ao ponto em que as pessoas não podem ir ao aeroporto buscar os parentes porque correm o risco de serem agredidas por mais de 50 pessoas”.
Há seis meses, o motorista do Uber X Renato Campos, 28 anos, sofreu uma tentativa de agressão, também no aeroporto. Ele conta que só não teve prejuízo porque transportava um delegado, que apartou a situação. “Eles só não fizeram nada porque meu cliente sacou a arma e se identificou. Se não fosse ele, nem sei se estaria aqui”, desabafou.
Apenas um ponto é consenso
O diretor do Sindicato dos Taxistas do DF (Sinpetáxi), Sérgio Aureliano, também criticou a ausência de um posicionamento do governo. Para ele, a demora da votação do projeto é a principal responsável pelos desentendimentos: “É injusto porque nós pagamos impostos. Caso o Uber venha a ser legalizado, não se discute mais essa questão”.
Aureliano informou que o sindicato “não apoia nem compactua com nenhum tipo de violência, mas a categoria é constantemente agredida”.
Para o sindicato, cabe à Secretaria de Mobilidade tomar qualquer atitude administrativa com os taxistas envolvidos. Segundo a pasta, por sua vez, após a identificação dos suspeitos, será aberto processo de cassação de permissão dos motoristas.
Histórico recente
Na terça-feira passada, quatro irmãos que chegavam de viagem foram agredidos no aeroporto. Eles foram buscados por uma familiar e, quando todos já estavam no veículo, alguns taxistas se aproximaram. As vítimas tiveram ferimentos causados por socos, pontapés e golpes de paus, barra de ferro e faca. Na tarde do mesmo dia, outra confusão na porta da 2ª DP (Asa Norte). Os condutores do Uber procuraram a polícia para denunciar que taxistas espalharam óleo na pista. À noite, novo confronto em um posto de combustível próximo ao aeroporto. Pedras foram atiradas nos carros.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília