“O amor pelo motociclismo superou a dor”, afirma a administradora de redes Mary Sales ao contar que, mesmo depois de fraturar o pulso e o joelho em um acidente, não conseguiu se distanciar da emoção de estar sobre duas rodas. Apaixonada pelo ronco do motor e pela sensação de liberdade que o veículo proporciona, Mary estava entre os cerca de mil participantes do Quinto Passeio Motociclístico, realizado ontem, no Sudoeste.
O evento, em homenagem ao Dia da Mulher, recebeu cerca de 300 representantes do público feminino, segundo a produtora executiva do grupo Mulheres em Movimento, Andreia Vulcana.
O encontro começou com um café da manhã, seguido de um culto ecumênico, sorteio de brindes e shows. Às 14h, mesmo com a forte chuva, as motos participaram de um passeio até a Esplanada. Andreia destacou a importância do motociclismo para muitas mulheres. “Conheço algumas que superaram depressão e outras doenças. Eu mesma falo que pratico ‘mototerapia’, pois ela me proporciona bem- estar, relaxamento e até rejuvenescimento”, diz.
Motociclista há 30 anos, a administradora de redes Mary acrescenta que até o cãozinho de estimação aprendeu a gostar de moto. “Ele tem capacete e adora viajar. Uma vez, eu e meu marido fomos para o Maranhão de moto e ele nos acompanhou. Acredito que a minha paixão é genética. Meu pai gostava e, aos 14 anos, eu já sabia pilotar”, afirma ela, que já teve nove motos até hoje.
infância
Para a produtora de shows Lia Márcia Nacif, 48, a paixão começou na infância, quando ela ia à escola e passava em frente a uma mecânica, em Belo Horizonte (MG). “Desde então comecei a pilotar e fazer amigos nesse mundo. Não foi fácil porque naquela época a mulher não tinha essa liberdade. Sofri preconceito. Eu encontrava liberdade quando estava sobre duas rodas, era quando eu me livrava dos rótulos que ganhei pelo simples fato de gostar de moto”, desabafa.
O casal Flávio Batista, 50, e Eneida Batista, 48, também assume o amor pelo veículo. A dona de casa acabou de comprar sua própria moto. “Deixei de ocupar a garupa do meu marido, que é motociclista há dez anos, para pilotar minha moto. Sempre optei pelo carro porque era mais prático para levar os filhos, mas agora que eles cresceram é a minha vez de curtir”, conclui.