Da Redação
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O chacareiro M.R.S., de 40 anos, foi indiciado por homicídio culposo – sem intenção de matar – pela morte do menino Yuri Gabriel dos Santos Souza, de cinco anos. A suspeita é de que criança teria sofrido um choque ao encostar em uma cerca eletrificada em uma chácara do Setor Habitacional Sol Nascente, em Ceilândia, de propriedade do indiciado. Revoltados com a morte do menino, populares incendiaram a casa do suspeito. O Corpo de Bombeiros tentou conter as chamas, mas os autores do incêndio conseguiram impedir o trabalho da corporação.
No momento do acidente, na noite de terça, a vizinhança tentou invadir a propriedade. O menino chegou a ser levado ao Hospital Regional de Ceilândia (HRC), mas não resistiu depois de sofrer uma parada cardíaca. A polícia investiga o caso e aguarda o laudo da perícia do Instituto de Criminalística (IC), que vai apontar as causas da morte. O resultado sair em 15 dias.
O delegado Alberto Passos, chefe da 19ª DP (P Norte), afirma que M.R.S. pagou fiança de R$ 4 mil e vai responder ao processo em liberdade. Passos informa que, a princípio, o chacareiro está indiciado por homicídio culposo, mas se ficar comprovado que ele eletrificou a cerca para evitar o acesso à chácara, pode ser considerado que o suspeito assumiu o risco de matar.
A peça-chave do caso será o laudo. “Estamos fazendo toda a medição da cerca e também vamos observar a fiação no interior da casa e até mesmo fora da residência”, afirmou um perito.
O menino brincava na rua com um velocípede e uma bola acompanhado de outra criança de três anos, em frente à casa onde morava, como de costume. A mãe do garoto mais novo filmou a diversão das crianças com um celular. Segundo testemunhas, a bola passou entre o arame farpado e caiu no terreno da chácara. Yuri atravessou a cerca para pegar o brinquedo, mas quando voltou, escorregou em uma poça d’água. Ele segurou na cerca com a mão esquerda e recebeu a descarga elétrica.
A outra criança correu para chamar o pai enquanto a mãe gritava pedindo ajuda. O pintor Francisco Domingos, 38 anos, pegou um cabo de vassoura e tentou soltar o menino da cerca. Um vizinho, mais apressado, o segurou e por pouco não foi eletrocutado. Eles socorreram a vítima e a levaram ao hospital, mas ela não resistiu. O suspeito abandonou o terreno e fugiu com a família, levando os animais que criava.