Um meio alternativo de hospedagem mais barata e pessoal para os turistas que virão visitar a capital federal durante a Copa das Confederações e outros grandes eventos esportivos. Trata-se do Programa de Hospedagem Cama e Café, inaugurado no Distrito Federal. O programa alternativo acompanha o público internacional, que já tem o costume de se hospedar assim, e a meta é que até o ano de 2014, o total de 375 residências estejam prontas para receberem 3.375 hóspedes.
Qualquer proprietário interessado em abrir as portas de casa para turistas terá que fazer pré-inscrição no site da Secretaria de Turismo (www.turismo.df.gov.br). Dentre os pré-requisitos estão a necessidade de o proprietário morar no imóvel; ter, no máximo, três quartos e nove leitos; e serviços de limpeza e café da manhã serem obrigatórios. Características que separarão o Cama e Café de um hotel, pousada ou aluguel temporário.
Copa das Confederações
A primeira etapa irá abranger a área de Brasília (Asa Sul, Asa Norte e Vila Planalto), com 75 casas, 25 em cada setor, no total de 675 leitos. Só essa área estará pronta para a Copa das Confederações, que espera poucos turistas internacionais. Essa fase dará margem para mudanças a tempo da Copa do Mundo e da abertura dos outras cidades.
“Todas as cidades devem se cadastrar, mas iniciaremos as visitações fora do Plano Piloto em junho. No dia 2 de junho divulgaremos as residências de Brasília que estarão aptas. Escolhemos o local pela proximidade dos atrativos e do próprio Mané Garrincha”, explica a subsecretária de Políticas de Turismo Ariádne Bittencourt.
Experiência
A experiência de receber pessoas estranhas em casa pode parecer perigosa para alguns. Muitas famílias podem considerar um obstáculo na hora de entrar no programa. Não é o caso da artista plástica Bárbara Caltabiano, que já recebeu turistas duas vezes na casa onde mora com o noivo Daniel, por meio do Couch Surfing, serviço de hospitalidade gratuito na internet.
“O principal que a gente leva é a troca de culturas. Não é um hotel, um espaço comercial que você só entra e sai. As pessoas que escolhem a hospedagem alternativa preferem algo pessoal, com uma visão do local de quem mora lá”, explica a artista plástica.
Preços bem mais baixos que nos hotéis
O diferencial de um serviço de hospedagem na casa de moradores, além do intercâmbio de cultura e ambiente descontraído, é o preço mais baixo. O diretor da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil, Newton Garcia, criará a tabela de preços que será sugerida para os proprietários.
“Fizemos a comparação com outros países que utilizam essa alternativa e eles regulam o preço a um hotel três estrelas. Aqui vai depender da classificação de acordo com a qualidade do local. Iremos criar tabela com três valores. Suíte, ar condicionado e nível da área comum irão entrar na avaliação. O preço será abaixo da hotelaria”, diz.
Experiências
A brasiliense Christina Costa, 59 anos, prepara sua casa, na QL 32 do Lago Sul, para a segunda etapa do programa. A partir de experiências no exterior, a empresária aproveita a alternativa para manter a casa grande. “Tenho uma casa bem brasileira e moro sozinha. É uma ótima chance para o turista entrar em contato com o morador e conhecer Brasília numa visão local. Moro perto da Ermida Dom Bosco, da Torre Digital, do Palácio da Alvorada, e a vista da minha casa é bonita. Ainda moro em um condomínio fechado, o que garante a segurança dos hospedes e adoro pessoas”, diz.
Ponto de vista
Para o professor diretor do Centro de Excelência em Turismo na UnB, Neio Campos, o programa trará mais um meio alternativo de hospedagem que deverá complementar os já existentes. Ele acredita que o público internacional procura a convivência mais próxima. O lançamento do projeto piloto em área menor está sendo feito de forma correta e com cautela. Neio diz que o preço deverá ser mais baixo que os hotéis, uma das premissas dessa hospedagem, mas ele está curioso para ver qual vai ser o tipo de tarifa cobrada.