Menu
Brasília

Moradores se recusam a sair de área de transição no Varjão

Arquivo Geral

15/02/2013 8h40

Daniel Cardozo
Especial para o Jornal de Brasília

 

Os moradores da área de transição do Varjão enfrentam um impasse com o GDF. A Secretaria de Habitação (Sedhab) construirá prédios residenciais nos lotes ocupados e comunicou que as famílias devem deixar o local até segunda-feira. A Associação de Moradores questiona a maneira como a desapropriação está sendo conduzida, e planeja uma manifestação para o dia da retirada.

 

A Sedhab organiza a construção de prédios com 144 apartamentos, para acomodar parte dos moradores. No entanto, são 336 famílias vivendo no local. O excedente seria beneficiado pela assistência financeira oferecida pela Sedest, para o pagamento de aluguel. A previsão é de que os edifícios fiquem prontos em até nove meses e, até lá, todos os moradores teriam direito a auxílio vulnerabilidade, de R$ 408. Mas como há mais famílias do que unidades previstas, muitos moradores temem ficar sem casa.

 

 

 

A decisão da retirada foi comunicada em reunião no início do mês,  entre as lideranças comunitárias e a Sedhab. “Eles vieram com uma postura arbitrária, dizendo que não tinha negociação. O que nós propomos é que a construção comece nos lotes já desocupados”, afirma o presidente da Associação de Moradores do Varjão, José Maria Martins.

 

Dias antes do Carnaval, o Centro de Referência em Assistência Social (Cras) começou a fazer o pagamento aos ocupantes da Quadra 11. Quem se apresentou recebeu os R$ 408 em mãos, para pagar aluguel. No entanto, muitos dos beneficiários teriam usado o dinheiro para outras finalidades. “Muita gente pegou o dinheiro e foi comprar comida. São pessoas em situação de pobreza, então R$ 400 fazem diferença. Tenho notícia de que alguns foram morar em outras invasões”, revela Martins.

 

Segundo a Sedest, por se tratar de um auxílio vulnerabilidade, não é obrigatória a comprovação do gasto com aluguel. A secretaria alega que deve haver casos de beneficiários que foram morar com parentes e que, nesse caso, poderiam usar o dinheiro para outros gastos.

 

 

Outro problema encontrado  foi a falta de casas disponíveis para aluguel: seriam apenas 17 quartos ofertados para locação em toda a cidade, segundo  levantamento da associação. “Eu não tenho condições de ir com meus três filhos para um quartinho com banheiro. Muitos deles nem aceitam crianças, então não dá”, reclama a empregada doméstica Ana Regina Maia, que não quer deixar a casa.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado