Moradores do P Sul, em Ceilândia, reclamam do abandono da quadra de esportes da QNP 24. Além da falta de conservação dos brinquedos do parquinho, eles relatam que foi prometida a instalação de um gramado sintético onde hoje, em meio à terra, há dois gols, mas o projeto nunca saiu do papel. Enquanto isso, a população convive com a poeira, que, em período de seca, provoca crises de doenças respiratórias e alérgicas. A sugestão de pauta foi enviada ao JBr. via Whatsapp.
Os aposentados Manuel Marçones Feitosa, 48 anos, e Carlos Marcelo Feitosa, 39 anos, são irmãos. Ambos cadeirantes, denunciam que as poucas rampas de acessibilidade do local estão rachadas e em péssimas condições. “Quando quero brincar com a minha filha no parquinho, não posso. Ela me chama para ir junto e eu fico só na vontade. Nesse entra e sai de governo, ninguém providencia nada”, reclama Manuel.
Outro vizinho, Kallel Lykans, 32 anos, conta que, há uma semana, o filho sofreu um acidente no parquinho e a criança só não se machucou mais porque ele conseguiu interferir a tempo: “Quando ele foi descer pelo escorregador, prendeu o braço em uma das partes corroídas e ficou todo arranhado. Não tem condição de colocá-lo para brincar ali”.
Serviço inacabado
E as queixas não param por aí. O cantor Divino Faria, 58 anos, explica que, há um mês, a CEB fez a poda das árvores da área a fim de preservar a rede de energia, mas deixou para trás todos os restos de troncos e galhos. Com isso, os próprios moradores tentaram amenizar os problemas.
“Como eles deixaram tudo jogado, nós mesmos cortamos alguns troncos menores e vamos aproveitar para a época de festas juninas, para uma fogueira. Mas, mesmo assim, ainda sobrou muito entulho.”
O pedreiro Perisvaldo Marques Lisboa, 55 anos, relata que a vontade de reformar o local é grande e, com o uso de um machado e uma foice, ele ajuda a separar os galhos menores na tentativa de diminuir a bagunça na porta de casa. “Ajudamos como podemos. Mas o governo tem que fazer a parte dele. Até as lixeiras precisam de reparos e os bancos também estão quebrados”, diz.
A dona de casa Katia Vieira Feitosa, 32 anos, tem uma filha pequena, que sofre com a poeira do lugar: “Ela é alérgica e esse ambiente contribui para a piora do quadro. Tento manter a casa sempre limpa, mas é difícil. Direto ela fica gripada e com a pele seca. É horrível”.
Plano atual é construir um jardim
A administração regional diz que a área da quadra não está destinada a projeto de campo sintético, mas há a intenção de ocupar o local com algum equipamento público que possa atender a população, como a implementação de jardim em parceria com a comunidade.
Quanto à manutenção do parquinho, a Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sinesp) possui um contrato de manutenção das áreas de lazer do Distrito Federal. Mas, por conta da crise orçamentária que atingiu o governo no início deste ano, o contrato foi afetado e aguarda verba para ser retomado. A expectativa é de que os serviços tenham continuidade no segundo semestre.
A administração também informa que, em duas semanas, o local passará por uma revitalização com o conserto dos brinquedos, além de receber pintura dos equipamentos e instalação de lixeiras.
A assessoria de comunicação da Novacap, por sua vez, informa que existe um projeto para recuperação de todas as calçadas do DF, que também aguarda disponibilidade financeira. De acordo com a pasta, são feitos reparos pontuais conforme a demanda e as administrações regionais também podem executar esse tipo de serviço.
Promessa de fazer reparos
Procurado, o administrador de Ceilândia, Vilson José de Oliveira, disse que, de imediato, fará uma limpeza no local, retirando galhos de árvores e brinquedos velhos que possam colocar em risco a saúde das crianças. Afirmou ainda que, em parceria com outros órgãos, viabiliza a revitalização das quadras de esportes e dos parquinhos da região, contemplando melhorias como a restauração de bancos e instalação de lixeiras. O objetivo é também melhorar a acessibilidade destes espaços, inclusive com rampas para cadeirantes.