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Brasília

Moradores do Noroeste aguardam implementação de projeto. Hoje, será criado conselho consultivo

Arquivo Geral

23/04/2016 8h13

O sonho de um bairro ecológico, sustentável e no centro de Brasília pode dar mais um pequeno passo. Hoje, o governador Rodrigo Rollemberg assinará o decreto de criação do Conselho Consultivo do Parque Burle Marx do Noroeste, espaço esperado desde 2012 pelos moradores e empresários que apostam no local como modelo de qualidade de vida. Por ali, os habitantes esperam que, agora, o projeto vire realidade. Mas, depois de tanto tempo, a desconfiança é grande.

Há oito meses, a proposta da composição e das competências do Conselho Consultivo do Parque Burle Marx foi publicada no Diário Oficial do DF assinada pelo Secretário do Meio Ambiente, André Lima. Para os moradores da área, isso não diz muita coisa. “Estamos esperan- çosos de que saia, mas não deixamos de continuar descrentes. O governo até agora não sinalizou que está levando a sério”, criticou.

Antonio Custódio Neto, presidente da Associação dos Moradores do Noroeste (Amonor). Para ele, dizer que vai criar um conselho e fazer reuniões não adianta: “Nossa grande base de descrença é que até hoje o GDF não sabe qual é o projeto. Casa Civil, Ibram (Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos) e Terracap têm projetos diferentes. Parece que o governador está querendo holofote”. 

Hoje, a promessa é que moradores se apresentem com discurso de indignação e cobrança: “A comunidade não aguenta mais ser enrolada”. “Acho que falta pressão da sociedade. As coisas só acontecem assim. O governo não dá prazos, mas a sociedade cobra. Temos que ter áreas preservadas que funcionem como um pulmão”, considera a geógrafa aposentada Maria Augusta Fernandes. Ela integra a Associação Amigos do Parque e considera que a construção representará um legado.

O pouco que se tem está sem condições

A aposentada Lúcia Azevedo, 58 anos, aproveitou uma pequena desvalorização dos imóveis ali para se mudar da Asa Norte. “É uma pena que essa área do parque, que pode ser tão bem aproveitada, esteja nessas condições. Eu mesma gosto de passear e pedalar. Já tentei usar as trilhas, mas não tem segurança nenhuma. É perigoso”, conta. Quando ela quer se exercitar, recorre à ciclovia da região ao lado.

Em agosto do ano passado, seis trilhas construídas por empresas do setor imobiliário foram fundadas no parque, com a presença do governador, para atrair moradores para o bairro.

As pistas reiteraram o caminho já percorrido por diversas pessoas diariamente, ainda sem iluminação e equipamentos de segurança ou conforto. Por lá, o chão já está gasto e o mato, alto. Longe do esperado por quem investiu no potencial da área.

“O Ibram autorizou a constru- ção, empresas privadas construí- ram as trilhas e o Rollemberg esteve aqui para a inauguração. Hoje, a gente pede para o governo limpar a trilha e instalar iluminação e o que ouvimos é que as trilhas são ilegais. Claramente, não estão levando a sério”, reclamou o presidente da Associação de Moradores do Noroeste, Antonio Custódio Neto.

Superfaturamento

O Governo de Brasília chegou a fechar um acordo de R$ 32,8 milhões para executar pavimentação asfáltica e meios-fios das vias e dos estacionamentos do parque, construir as ciclovias e calçadas, instalar sinalização viária e fazer drenagem. No entanto, em 2014, o contrato foi embargado. Já haviam sido repassados R$ 20,8 milhões à empresa quando o TCDF apontou superfaturamento de R$ 11,2 milhões.

Saiba mais

As promessas de rede elétrica subterrânea, painéis de energia solar, paisagismo, coleta de lixo a vácuo, ciclovia e o parque Burle Marx supervalorizaram os imóveis. O metro quadrado, que chegou a custar R$ 14 mil, tem média de R$ 10 mil.

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