Da Redação
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Moradores do Setor Habitacional Jardins Mangueiral se queixam da inexistência de paradas de ônibus com abrigo para os passageiros. As pessoas que dependem do serviço de transporte público pegam ônibus em um ponto sem sinalização e, para chegar até o local, chegam a caminhar aproximadamente de 3 a 4 quilômetros, em um trajeto que pode levar até 25 minutos.
O Setor Habitacional Jardins Mangueiral é um novo projeto do GDF, com cerca de 2.310 imóveis concluídos. Atualmente, 395 famílias moram no setor. As pessoas que vivem atualmente no local e não possuem carro sofrem.
Além de ter que andar os 4 quilômetros a pé até o ponto de parada, os moradores reclamam do perigo. O trajeto não conta com uma faixa de pedestre ou um semáforo, para quem os motoristas possam diminuir a velocidade e permitir que os pedestres atravessem a via com segurança.
Sem luz
Como o local não possui sinalização adequada, muitas vezes os ônibus não param. “É esse transtorno de ir e vir. Lá fora não tem segurança nenhuma. É uma escuridão tremenda. Não tem parada de ônibus e o local que destinaram para a parada, às vezes o ônibus passa direto. Aí nós temos que vir caminhando no breu”, reclama a assessora administrativa Thelma Cristina Almeida.
O Transporte Urbano do Distrito Federal (DfTrans) informou que a instalação de abrigos (coberturas), que será feita pela administração do bairro, está em fase de orçamento e planejamento. O DFTrans garante que já enviou projeto básico para o bairro, que deverá ter 19 abrigos.
A iluminação da área também é precária e compromete ainda mais a segurança de quem transita à noite no lugar. Um dos perigos são as valas que encontram-se próximas ao ponto de parada de ônibus.
Batalhas do cotidiano
A falta da iluminação é responsável por acidentes. “Já vimos um senhor descer do ônibus a noite e, na hora que foi descer na escuridão, caiu na vala. Se machucou todinho, se cortou. As mulheres estão reclamando que ladrões podem se esconder no escuro, pegar a bolsa delas e sair correndo e ninguém ver”, alerta o estudante Leonardo Oliveira, de 18 anos.
O universitário contou que, como faz duas faculdades, sofre ainda mais. Ele depende dos ônibus duas vezes no dia, uma vez que vai para a faculdade em Taguatinga pela manhã e, de noite, cursa na Universidade de Brasília (UnB). “Saio da faculdade às 11h15 e chego aqui às 12h. Estudo na Uniplan de manhã, que é em Taguanorte, e também ruim no sentido Plano Piloto. Chego aqui às 12h30, mas em casa chego quase 13h. Descanso e já saio cedo para UnB às 17h30. Quando volto, chego quase 0h em casa”, conta Leonardo relatando a saga que vive diariamente.
A secretaria Francisca Mendes também observou a demora tanto para ir quanto para voltar ao destino desejado. “As crianças saem do colégio meio-dia e chegam aqui umas 14h ou 15h”, afirma.
Por meio do site do Setor Habitacional foi repassado aos moradores que, em setembro, ônibus estariam transitando dentro do condomínio. Mas nada aconteceu. “Falaram que ia ter ônibus aqui dentro no período da tarde e da noite. E até então eu ainda não vi esses ônibus aqui”, questiona a estudante Carmem Santos, 45, que voltava do supermercado carregando várias sacolas.
Novas linhas
De acordo com DFTrans, a situação deve melhorar com uma linha que será disponibilizada para circular no bairro e a outra que vai para a Rodoviária do Plano Piloto. Assim, os moradores terão ônibus e paradas perto de casa. O órgão autorizou ordem de serviço para duas linhas que irão circular na região a partir do dia 1° de novembro.
Além disso, os moradores questionam a falta de solidariedade da maioria dos vizinhos. Como alguns dos habitantes da região não possuem carros, muitas vezes precisam de uma carona para chegar em casa, principalmente quando voltam do supermercados carregando compras.
“Muitas vezes os moradores nem dão carona. Eles não têm obrigação, mas é muito difícil. As pessoas que trabalham aqui nas residências, vão e vêm andando isso tudo a pé”, observa a assessora Thelma.