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Brasília

Moradores de Vicente Pires reclamam de lama e buracos na época de chuva

Arquivo Geral

22/11/2012 8h34

Johnny Braga

redacao@jornaldebrasilia.com.br

 

A cidade de Vicente Pires não escapa do mesmo destino vivido pela Asa Norte. Os temporais têm deixado suas marcas na região nessa época de chuva. Várias ruas são inundadas e outras tomadas pelo barro e por pedaços de asfalto, que se soltam.  Na Rua 10, a chuva forte deixou vários trechos com buracos e a água invadiu casas, comércios e abriu uma cratera, que comprometeu fios telefônicos aterrados. A área está entre as mais afetadas pelo  temporal. 

 

Na Rua 3, não é possível mais distinguir qualquer ponto de asfalto. Por onde se olha, só se vê barro. Os moradores estão desolados e descrentes com situação e afirmam até que já não acreditam que uma solução seja possível. 

 

Um deles, o caminhoneiro Geraldo Eurípedes de Alvarenga, 54 anos, conta que a cada vez que chove a situação piora. “Asfalto aqui só é possível no perío do da seca. Quando chove, além do barro, ninguém consegue sair de carro, pois com a precariedade das galerias de águas pluviais, corre o risco de ser arrastado”, conta.

 

Os vizinhos de Geraldo Alvarenga afirmam que já acionaram a administração com a intenção de buscar solucão para os problemas com o barro e os constantes alagamentos, mas a solução sempre é paliativa. Segundo o caminhoneiro Altair Ferreira, 58 anos, a regional sempre envia maquinário para retirar o excesso de barro, porém as obras de infraestrutura ficam só na promessa. “O asfalto é malfeito. Acredito que nós moradores é que teremos que fazer alguma coisa, porque não dá mais para esperar”, lamenta. Os problemas provocados pelas chuvas não são uma novidade. Em 2010, uma cratera de 400 metros de extensão, por dois metros de largura e dois de profundidade se abriu no meio da Rua 10.

 

E existe uma dificuldade adicional na região. Por não ser regularizada, não pode receber grandes obras de infraestrutura.

 

O Instituto Nacional de Metereologia (Inmet) informou que, em novembro, já choveu 44% acima da média prevista para o mês. O acumulado é de 54,6 milímetros de água. A previsão é de mais chuva.

 

Relatos de um dia de pavor

A Novacap vem trabalhando no local para tentar amenizar os problemas provocados pela chuva, principalmente, na Rua 10. As máquinas retiram os pedaços de asfalto e nivela a pista que vai ganhar um novo recapeamento, logo que a chuva der uma trégua. 

 

Ainda traumatizados com o forte temporal da terça-feira, moradores contam que a água invadiu casas e alguns estabelecimentos comerciais. Em uma loja de materiais para construção, o proprietário Adailton Rios, 39 anos, disse estar aliviado por não ter sofrido nenhum dano material. Segundo ele, em outras ocasiões, o depósito foi tomado pela enxurrada. Desta vez,  porém, tomou medidas preventivas e evitou os estragos. “Felizmente, deu tempo de retirar a água que entrou na loja”, afirma.

 

Por volta de 21h de terça-feira, a servidora pública Sílvia Lacerda, viveu momentos de medo e aflição ao ficar ilhada dentro de seu carro, uma Hyunday Tucson, na Rua 10-B, em Vicente Pires. Ela contou que chovia bastante e não tinha percepção do quanto a água havia subido. “Estava voltando pra casa e caí em um buraco. Neste momento,  tentei arrancar com o carro, porém sem sucesso. Em pouco tempo, só via a água subir, até chegar à altura do porta-malas. Entrei em pânico”, lembra.

 

A força da correnteza foi capaz de arrancar a placa do carro e impediu que Sílvia saísse do veículo. “Abri a porta e a água entrou com muita força. Peguei meu celular e liguei para meu marido pedindo socorro. Foi assustador, gritava muito e não havia ninguém por perto”, lembra. Passado o susto, a servidora agora pretende acionar o governo para ele assuma todo o prejuízo, que ainda não foi orçado. 

 

A reportagem tentou entrar em contato com a Administração Regional de Vicente Pires para ouvir sobre as melhorias a serem implementadas para a cidade possa enfrentar o período chuvoso, mas não obteve resposta.

 

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