Ruas arborizadas, muitos adultos, poucas crianças. Trabalhadores de classe média. Maioria de brancos e pardos. Solteiros. Gosto por música sertaneja e não muito por exercícios físcos. Católicos, evangélicos, ateus. Flamenguistas, vascaínos. Nascidos na terra ou naturais do Nordeste, de Goiás e Minas Gerais. Vieram em busca de oportunidades de trabalho ou estudo e para ficar. Esse é o perfil do taguatinguense típico, segundo pesquisas realizadas pela Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), no ano passado.
A aniversariante, Taguatinga, ou Taguá para os mais íntimos, foi fundada em 5 de junho de 1958, mas, só em 1970, foi oficialmente reconhecida pelo então governador, Hélio Prates. O nome escolhido se refere a uma antiga fazenda homônima, localizada na região.
Inicialmente, o termo Tauá + Tinga, do tupi-guarani, foi traduzido equivocadamente para Ave Branca, o que explica a existência de inúmeras instituições assim batizadas na cidade. Posteriormente, uma tese linguística do poeta Antônio Garcia Muralha revelou que Taguatinga, de Ta’Wa’Tiga, significa, na verdade, barro branco, ocorrência geológica que se verifica na área em que a cidade está situada.
Segundo a Codeplan, hoje, cerca de 214,2 mil habitantes – 7,6% da população do DF – vive regularmente na região. Se contabilizados os moradores em áreas de invasão, o número pode chegar a 250 mil. São mais de 67 mil domicílios, com 3,19 pessoas em cada. A maioria são adultos, entre 40 e 59 anos (24,89%), e jovens, entre 25 e 39 anos (23,21%).
Solteiros
Para quem procura um amor, Taguatinga é uma opção. A cidade tem cerca de 74 mil solteiros, 34,57% da população, mas com 15,95% de mulheres a mais do que homens. Os casados no civil e religioso são mais de 48,3 mil pessoas, o equivalente a 22,58%.
Pouco mais da metade dos moradores, 51,80%, são imigrantes. Falam “oxe” e “uai”, já que 49,51% deles são do Nordeste, 28,03%, do Sudeste, especialmente de Minas Gerais, e 16,80%, do Centro-Oeste, com destaque para Goiás.
Somente 0,82% da população não teve acesso ou não concluiu os ensinos Fundamental e Médio em idade apropriada. Os que concluíram o curso superior, no entanto, incluindo especialização, mestrado e doutorado, somam apenas 18,24%.
Gente trabalhadora
A cidade é de gente trabalhadora. Entre as pessoas com mais de dez anos, 47,51% têm atividades remuneradas, enquanto 16,69% estão aposentados e 5,31%, desempregados. No que diz respeito à ocupação, o setor terciário abrange 96,44% dos moradores, sendo que 28,38% trabalham no comércio, 22,21%, nos serviços públicos federal e distrital e 20,78%, em serviços gerais. A renda domiciliar média é de R$ 5,1 mil, o correspondente a 7,58 salários mínimos, e a renda per capta é de R$ 1,6 mil.
Independência
Segundo a pesquisa da Codeplan, Taguatinga é independente em relação às atividades comerciais. Nem em busca de cultura, lazer e trabalho, os moradores deixam a querida cidade.
Saiba mais
Em 1964, Taguatinga foi denominada RA de número III. Com o crescimento da população e a necessidade de espaços, a região foi dividida nas cidades de Ceilândia e Samambaia. Em 2003, houve nova divisão, que originou Águas Claras e, em 2009, Vicente Pires.