Francisco Dutra
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A falta de água é um desconforto diário na QE 40 do Guará 2, há um ano. Sem contar com torneiras e chuveiros, os moradores convivem com cozinhas sujas, pilhas de roupas para lavar. Nos casos mais graves, só conseguem o banho de descanso, após um dia de trabalho, na casa de parentes. Drama semelhante, também é observado no Pólo de Modas do Guará, na Cidade do Automóvel e em alguns pontos de Águas Claras.
O problema da falta de água ganha proporções mais doloridas para a micro empresária Joseane de Carvalho. Moradora do edifício Alemão, na QE 40, ela sofre de fibromialgia, doença que causa fortes dores nas artilculações. “Aqui a gente só tem água de madruga. Quem não madruga não consegue juntar água para o dia seguinte. Tem vezes que além de dormir mal, acordo com muita dor. O pessoal até se assusta porque grito de dor levando a água de um lado para o outro”, desabafa Joseane.
Para não ficar sem água para beber, Joseane estoca caixas de água mineral bem na sala de estar. O banho de cada dia é feito com água guardada em bacias no banheiro. E nos dias de mais aperto, ela e sua família são forçadas a reaproveitar a água de um banho para o outro. A micro empresária ainda passa por outro problema. Especializada na produção caseira de alimentos congelados, ela está de mãos atadas. Afinal, ela não pode produzir se mal consegue deixar as panelas limpas.
Segundo a sindica do prédio, Josane Kell de Oliveira, os moradores já cansaram de reclamar na Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal(Caesb). “Nós sempre reclamamos. E eles dizem que é um problema de pressão. Como construíram muitos prédios por aqui, a água que chegava não tem mais pressão suficiente para subir até a caixa d’água do quinto andar e descer para os apartamentos. Mas eles dizem que esse problema não é com eles. Somos nós que temos que instalar uma bomba para resolver o problema. Com que dinheiro? E onde vamos fazer isso?”, relata a sindica.
A indignação da moradora fica ainda mais ferrenha quando ela olha as altas contas de água para pagar, ao final de cada mês. Em outro prédios da vizinhança, os moradores colocaram a mão no bolso e instalaram a bomba hidráulica para tentar resolver o problema. No edifício Branco 2, o equipamento resolveu o problema em parte. “A noite entre 20h e 22h ainda costuma faltar. Ontem mesmo faltou. Eu tomei banho, meu filho tomou banho, mas meu marido ficou sem água para se lavar”, conta a dona de casa, Cláudia Paixão.
Bomba de água
O superintendente de comercialização da Caesb, Emerson de Oliveira, confirma a falta de água nessas regiões. “Temos problemas nelas sim. Mas o problema não é tão simples quanto parece. Todos essas regiões eram para abrigar prédio comerciais e indústrias de poucos andares. Mas o que vemos nelas são prédios residenciais com cinco andares. Prédios grandes tem que ter bomba de água, reservatório subterrâneo e um reservatório de emergência para falta de água. Assim não sofreriam com a falta de pressão. Quem construiu esses prédios que estamos falando não colocou nada disso neles. E isso não é responsabilidade da Caesb”, explica Oliveira.
De acordo com Emerson, a Caesb está de mãos atadas nesta questão. “Não posso nem pensar em aumentar a pressão da água. Já estamos trabalhando no limite. Se eu aumentar um pouco, vai estourar tudo quanto é cano de água dessa cidade”, revela.