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Brasília

Moradores convivem com lixão a céu aberto na QNM

Arquivo Geral

25/02/2013 7h07

Fábio Magalhães

fabio.magalhaes@jornaldebrasilia.com.br

 

Conviver com um lixão a céu aberto é uma das dificuldades enfrentadas por inúmeras famílias da QNN 12, em Ceilândia. Todos os dias, moradores de residenciais recém-inaugurados são obrigados a presenciar o desrespeito da população ao meio ambiente, com o descarte de lixo em um terreno baldio localizado na quadra.

 

Se não bastasse a montanha de lixo que se forma logo abaixo das janelas dos apartamentos, flagrar usuários de droga e traficantes é corriqueiro, mesmo à luz do dia.

 

Segundo a população, o problema do lixo já se arrasta há anos e nenhuma providência foi tomada pela Administração Regional, mesmo com sucessivas mobilizações da comunidade para que a área tenha uma destinação correta e que proíbam o descarte de entulho, lixo orgânico e outros materiais.

 

Diante das medidas tomadas pela administração, que apenas autoriza a limpeza da área esporadicamente, moradores de rua e usuários de crack se apossaram da área, que fica localizada nas adjacências do Estádio Abadião, e ali montaram barracos improvisados.

 

Denúncia

Morador da região há 20 anos, o comerciante Sérgio Gonçalves, 45 anos, afirma que nos últimos dias a frequência de retirada de lixo do local foi intensificada. De acordo com ele, apesar de haver um esforço do governo, a população continua sujando a área, alimentando o vício de usuários de entorpecentes. “Os próprios catadores utilizam drogas. Eles encontram no lixo uma forma de sustento e manutenção do vício, com a venda de materiais”, denuncia. “Precisamos reconhecer também que o governo não dá opções para que as pessoas descartem o lixo”, completa.

 

Sensação de insegurança

Logo à frente do terreno que serve de depósito de lixo estão prédios residenciais que abrigam enorme quantidade de moradores. No Residencial Free, que foi inaugurado no último mês de outubro e dispõe de 116 apartamentos, as 34 famílias que ali residem reclamam da sujeira e dos perigos do local.

 

“O lixo chega a formar montanhas. Isso desvaloriza o nosso imóvel em cerca de R$ 30 mil”, reclama o primeiro morador do prédio, o aposentado Patrício de Medeiros, 51 anos.

 

Flagrante

Moradores filmaram e fotografaram flagras de descarte de lixo orgânico, resto de construção, equipamentos eletrônicos e outros materiais. Nem mesmo a presença da nossa equipe de reportagem intimidou os sujões. “Isso acontece o tempo todo. Essa região, inclusive, já se tornou perigosa e tivemos um caso de homicídio no último mês de novembro. Quanto às drogas, são consumidas a qualquer hora, sem receio”, diz o técnico em informática Renato Araújo, 34 anos.

 

Esquecimento

Apesar de terem se mudado para o local no final do último ano, os moradores já tiveram tempo suficiente para denunciar as irregularidades. E, no caso dos usuários de drogas e traficantes, a comunidade diz que a polícia, embora faça rondas frequentes, não coibe a ação.

 

Segundo o morador Rubens Luiz Venturin, 29, a Administração Regional de Ceilândia foi procurada várias vezes para solucionar o problema, tanto pessoalmente quanto por e-mail e ligações. “De tanto procurarmos, eles já não nos respondem mais. Nossa situação ficou no esquecimento”, lamenta Venturin.

 

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