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Brasília

Moradores colocaram cartaz que alerta sobre falta de segurança

Arquivo Geral

18/03/2014 7h06

Morando perto ou longe da  área central de Brasília,  a população não está livre das ações dos ladrões. Preocupados com o aumento do índice de furtos e roubos, moradores da Superquadra 407  Sul colocaram avisos em placas de sinalização dos blocos para alertar sobre os riscos de insegurança. Os avisos dizem: “Cuidado: área abandonada pela segurança pública”.  Esta não é a primeira vez que são instaladas placas ou faixas para tentar evitar novos assaltos. Para  especialistas, as medidas estão relacionadas ao baixo nível de tolerância do cidadão perante a frouxidão das leis.

Apesar de se tratar de um local considerado tranquilo, moradores da superquadra afirmam que a falta de policiamento e o abandono de praças e parques infantis têm contribuído para a ação dos ladrões. A dona de casa Valéria Trombini, de 49 anos, mora há dez anos no mesmo prédio da   407 e diz que já se foi o tempo em que se sentia segura.

“Já foi muito melhor. Hoje não me sinto com a mesma segurança de antes. A gente sempre alerta e diz aos filhos para tomarem cuidado ao sair e entrar do prédio. Tivemos casos recentes de furtos de carros, uma mulher que foi ameaçada aqui em frente por um rapaz com um faca. São situações que  praticamente não víamos antes”, contou.

Drogas

Valéria disse ainda que o local passou a ser frequentado por “pessoas estranhas” e o jeito é redobrar a atenção. “Sábado passado eu estava caminhando aqui na redondeza e avistei um rapaz com um cachimbo. A gente nota que tem pessoas novas por aqui, e fazendo o uso de drogas. Esses dias também ouvi da minha janela pedidos de socorro de uma pessoa que estava sendo roubada, e teve o celular e a bolsa levada”, completou.

A dona de casa frisa que o policiamento é raro na região, e que a população sente o abandono. “Quase nunca vemos um carro da polícia. Já aqui no comércio da 407 Sul é sempre. Não custa   darem uma passada aqui também. Isso inibe a ação destes bandidos.”

Morador há quatro anos do local, o professor Paulo Sérgio Leal,   55, conta que o salão de festas do prédio em que mora já foi arrombado. Furtos de carro também estão sendo registrados com maior frequência.

Versão Oficial
A Polícia Militar do Distrito Federal informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que “o policiamento no local é feito com motos e viaturas que realizam abordagens a pessoas e veículos e que serão realizadas operações para reforçar o policiamento na região”, mas não informou a partir de quando vai intensificar as rondas. A nota diz ainda que o comando do 1º BPM disponibiliza o número 3910-1603 para atendimento direto à população.
 
Memória
No mês passado, moradores da 210 Sul colocaram uma faixa na quadra alertando para a ação de um ladrão  que usava uma bicicleta para praticar os atos.
 A atitude foi tomada depois que algumas pessoas foram feitas reféns pelo homem.
 
Sociedade pode contribuir
O   professor e pesquisador de Segurança Pública da Universidade Católica de Brasília    Nelson Gonçalves argumenta que nem sempre os problemas estão relacionados à ação da polícia. “A sociedade também pode, e deve, contribuir para um cenário mais propício no combate à violência. Ainda assim, nota-se que a população está insatisfeita com a impunidade dos criminosos, que cometem crimes sabendo que as leis os favorecem”, avalia o especialista.
Demorou
Gonçalves observa ainda que a união da sociedade para casos como este se mostra como uma tendência “demorada”. “Não digo que é tardia, mas sim demorada. É claro que não falo de justiça com as próprias mãos, porém a população percebeu que medidas em conjunto visando alcançar algo para determinado grupo têm resultado nessa escalada contra a violência”, respaldou Souza.

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