Mais um morador de rua foi vítima de tentativa de homicídio no DF. Dessa vez a ação ocorreu na QNG 28, em Taguatinga Norte, na área comercial próxima ao Taguacenter. Rafael Fernandes da Silva, 24 anos, dormia embaixo da marquise de uma loja quando foi surpreendido pelo fogo, que subiu rapidamente. O suspeito do crime, um jovem de 15 anos, foi apreendido.
Segundo o delegado-chefe da 17ª DP (Taguatinga Norte), Daniel Gomes, a vítima e o agressor tinham o costume de consumir drogas juntos. O menor contou à polícia que na semana anterior havia emprestado R$ 5 à vítima. Quando foi cobrar a quantia, na madrugada de domingo, Rafael teria dito que não iria pagar, teria jogado um cachimbo de crack no rosto dele e o agredido. Por conta disso, o suspeito teria relatado que pegou uma garrafa de álcool da própria vítima e ateou fogo na parte superior do corpo dele.
O rapaz foi socorrido por transeuntes e levado pelos bombeiros ao Hospital Regional de Taguatinga (HRT). Ele sofreu queimaduras de 2º e 3º graus em aproximadamente 30% do corpo, mas não corre risco de morrer. De acordo com a Secretaria de Saúde, o rapaz chegou consciente ao hospital. Agora seu quadro é estável. Depois de passar pelo HRT, o morador de rua foi encaminhado ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran), onde seguirá com o tratamento.
“Jogaram pó de extintor na vítima e ele conseguiu caminhar até o posto de combustível, onde, agonizando de dor no chão, pediu socorro. No próprio local ele acusou o colega, que foi pego a metros do posto, dez horas depois”, diz o delegado.
Memória
Há quase 17 anos, o índio Galdino Jesus foi queimado vivo em uma parada de ônibus da W3 Sul. Jovens de classe média foram condenados.
Em agosto passado, o morador de rua Edvan da Lima Silva, 49, morreu incendiado no Guará.
Em novembro, também no Guará, Antônio dos Santos, 24, teve 18% do corpo queimado.
Seria o segundo atentado
Testemunhas contam que Rafael é conhecido na região. O jovem é considerado tranquilo e bem-humorado. Sua rotina consiste em pedir dinheiro no semáforo que divide as avenidas Comercial Norte e Hélio Prates; comer e dormir. O jovem teria morado no Jardim Ingá (GO), na Região Metropolitana do DF, de onde fugiu por motivos desconhecidos. Desde então, vive na rua.
A frentista F., 33 anos, estava chegando para trabalhar quando tudo aconteceu. “Eu o vi agonizando de dor, rolando no chão para tentar apagar o fogo. Algumas pessoas retiraram os extintores dos carros para ajudar a apagar as chamas, já que a orientação era não jogar água”, relata.
O vendedor ambulante R., 23 anos, revela que há uma semana, Rafael já havia sofrido outra tentativa de assassinato. “Ele estava dormindo, no mesmo lugar, quando atearam fogo”.