Em tempos de internet, celular e ponte aérea é quase inimaginável que uma pessoa, em sã consciência, possa percorrer uma distância de mais de mil quilômetros a pé, por mais nobre e engrandecedor que seja o motivo. Tal decisão foi tomada por um grupo de trinta e cinco homens no ano de 1965, cinco anos após a fundação de Brasília. A missão, apesar de autorizada pelo então governador do estado da Guanabara, Carlos Lacerda, não recebeu nenhum tipo de apoio por parte do poder público, ainda que a viagem tivesse o intuito de formar o 1º Quartel do Corpo de Bombeiros Militares (CBMDF) da nova capital federal.
Os bravos guerreiros cariocas, movidos pelo mesmo sentimento de esperança e entusiasmo que passou a povoar o imaginário do povo brasileiro diante do projeto de interiorização do Brasil, deixaram a antiga capital da República e rumaram à nova terra. “Podem ir, mas vão a pé.”, foram essas as palavras proferidas pelo governador Carlos Lacerda aos homens responsáveis pela formação do primeiro agrupamento do Corpo de Bombeiros Militares do DF.
Naquela época, apesar da migração de estruturas completas do serviço público do Rio de Janeiro para cá, muita coisa ainda estava em formação e desenvolvimento, assim como a cidade projetada por Niemeyer. O 1º Quartel do Corpo de Bombeiros Militares do DF foi instalado na Asa Sul. Atualmente o CBMDF conta com 32 quarteis. Outros sete estão em fase de construção e ainda há previsão para construção de mais seis. As regiões administrativas do Lago Norte, Ceilândia, Samambaia e Sudoeste serão as próximas a receberem novas unidades.
Brasília, que completará 53 anos de idade no próximo dia 21 de abril, apresenta um baixo índice de incêndios urbanos.
O registro mais recente foi no prédio que abriga os Ministérios das Comunicações e Transportes, a pouco mais de um mês. Diferentemente das demais unidades da Federação, no DF as áreas de educação, saúde e segurança – consideradas cruciais para o bom funcionamento de qualquer sociedade – são organizadas e mantidas pela União. Essa peculiaridade certamente contribui para que a realidade local seja oposta a da grande maioria dos estados brasileiros, como evidenciou uma reportagem veiculada no programa Fantástico, da Rede Globo, no último domingo.
De acordo com a reportagem, que se baseou em dados de um estudo realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT), apenas 14% das 5. 570 cidades brasileiras têm Corpo de Bombeiros. E desse total apenas o Distrito Federal e os estados do Amapá e Rio de Janeiro cumprem padrões internacionais de segurança, no que se refere a efetivo. Ainda de acordo com a reportagem, mesmo nas cidades que possuem bombeiros, com exceção dos três estados citados acima, chegam a faltar recursos básicos como escadas e caminhões adequados para o transporte de água, litem elementar no combate a incêndios, sem contar o sucateamento de outras estruturas e equipamentos igualmente importantes para uma boa prestação de serviços à sociedade.
Estrutura
A precariedade estrutural e tecnológica que dificulta e até mesmo inviabiliza o trabalho dos Corpos de Bombeiros país a fora, felizmente não se repete na Região Metropolitana do DF. Aqui a corporação conta, atualmente, com um efetivo de 5.800 servidores, quatro aviões, dois helicópteros e 350 viaturas operacionais.
O último concurso foi realizado em 2011, após um período de mais de uma década sem reforço em seus quadros. Mais de 70 mil atendimentos são realizados anualmente na Região Metropolitana do DF, que além das regiões administrativas abrange os municípios goianos vizinhos. As principais ocorrências são os atendimentos pré-hospitalares, realizados por meio de unidades de resgate, as conhecidas ambulâncias vermelhas e suas sirenes vibrantes que salvam vidas.
Com o intuito de reforçar o aporte operacional do CBMDF, O GDF adquiriu 30 caminhões turbos de combate a incêndio. As novas viaturas, consideradas as mais modernas da categoria, são de fabricação norte-americana e têm capacidade para transportar 3.750 litros d’água. O investimento total é de 30 milhões de reais, com treinamento e manutenção inclusos.