
Dar destaque e valorizar quem sempre esteve distante do tal padrão de beleza. Essa é uma das motivações do concurso Miss DF Plus Size. O evento regional realizará a terceira edição presencial, buscando quebrar os tabus relacionados ao corpo feminino, e provando que mulheres que usam tamanhos acima de 44 também são lindas e podem ser misses.
Patrícia Milli não está à frente do concurso por acaso. Ela começou a caminhada no mundo das plus size em 2011. Depois de ser convidada para um ensaio fotográfico, surgiu a proposta de ser modelo comercial. “Foi uma surpresa. Me encontraram nas redes sociais e me convidaram. No começo até achei que fosse brincadeira”, conta.
No ano seguinte, Milli enviou o book a diversas agências e foi convidada a participar do primeiro Miss DF Plus Size. “Diferentemente do que foi feito em 2013 e deste ano, na primeira edição a escolha foi feita apenas por fotos, e acabei sendo a vencedora regional”, explicou.
A partir daí, Patrícia vestiu a camisa do evento e começou a divulgar e fazer parte dele, buscando candidatas. “Acho que um evento como o nosso é de extrema importância para questionar os padrões de beleza impostos. Nós ajudamos as meninas a se valorizar. Temos dificuldade em encontrar candidatas que topem participar, pois muitas ainda não sabem lidar com a beleza que é natural delas, independentemente do peso”, declarou.
Para a campeã nacional do Miss Plus Size 2012, Babi Monteiro, de 40 anos, a importância do evento vai além da valorização pessoal das concorrentes. “É importante até para o mercado. Um dos reflexos desses eventos é uma maior quantidade de lojas para tamanhos acima de 44. Podemos observar ainda uma modernização da linha de produtos para as mulheres mais gordinhas, que sofriam na hora de comprar roupa”, conta.
“Antes, as meninas mais novas, que queriam se vestir de uma maneira correspondente à idade, tinham dificuldades em encontrar roupas que as valorizassem de acordo com o corpo. Hoje já temos mais opções. Ainda não é o ideal, mas já evoluiu muito”, considera.
Resgate da autoestima
Das 30 vagas para as candidatas a Miss DF Plus Size, restam dez. Entre as já inscritas está Camila Goulart, 31, formada em Cinema. “Este evento é fundamental para a visibilidade de pessoas acima do peso. Tive dificuldade de me aceitar como gordinha por um tempo, mas já me sinto melhor. Estou gostando do que vejo”, afirmou.
A bancária Renata Reis, 36, descobriu o evento por indicação dos amigos e resolveu concorrer. Se ganhar, sabe com quem irá trabalhar a questão da autoestima: “Quero conversar com meninas do Ensino Médio, época em que tive mais problemas com essa questão”.
Para a auxiliar a administrativa Rafaela Carneiro, 31, trata-se de uma oportunidade de questionar padrões. “Nunca achei que pudesse ter a chance de concorrer como miss, pois, além de ser gordinha, tenho um 1,63m”, declarou.
As interessadas em participar devem acessar o site www.misss. com.br, ler o regulamento e fazer a ficha de inscrição, anexando foto de corpo e de rosto. A taxa é de R$ 30. Caso seja aprovada e queira continuar, deve pagar R$ 630, que dão direito a dois dias de treinamento no hotel em que o concurso será realizado, com alimentação, cabelo e maquiagem inclusos, além de aulas de dança, passarela, oratória, conceitos de liderança , marketing pessoal e relacionamentos inter e intrapessoal. O concurso vale uma vaga no evento nacional. O evento é realizado pela Impacto Produções.