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Brasília

Metroviários ignoram decisão judicial e decidem paralisar 100% dos serviços nesta quinta (9)

Arquivo Geral

08/11/2017 23h07

Foto: Myke Sena

João Paulo Mariano
redacao@grupojbr.com.br

Apesar de a Justiça determinar o funcionamento de 90% da frota do metrô durante o horário de pico, os servidores decidiram dar início à greve nesta quinta-feira (9). A sentença partiu do desembargador Pedro Luís Vicentin Foltran, do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT10), após analisar pedido da direção do Metrô-DF.

Na decisão, o magistrado considerou que as peculiaridades do sistema e a utilização diária por milhares de pessoas trazem a necessidade de “fixar os percentuais mínimos de funcionamento dos serviço”. O Metrô-DF havia entrado com um pedido de dissídio coletivo alegando que o movimento desta quinta seria ilegal, pois infrigiu a lei de greve, e não tem motivação justa, já que o governo não dispõe de dotação orçamentária para cumprir o que foi pedido.

Para seguir a exigência da Justiça, o transporte precisaria funcionar com 90% da capacidade das 6h às 10h e das 16h30 às 20h30. Nos demais horários, a quantia seria de 60%. No próximo domingo, devido ao Enem, 100% dos trens têm que estar nos trilhos das 8h30 às 19h. A multa por descumprimento é de R$ 100 mil/dia.

Contudo, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários (Sindmetrô-DF) informou que, até o fechamento desta edição, a categoria não havia sido avisada oficialmente e seguiria com os planos paredistas, ao menos por amanhã.

Usuários têm de se virar

Quem não ficou nada feliz com a decisão da greve foi o auxiliar de operações Rafael Cardoso, 30 anos. Morador de Samambaia, ele gasta mais de 50 minutos para fazer o caminho de sua casa para o trabalho de ônibus. Assim, a melhor escolha é o metrô. Porém, como não ele tem carro, Rafael vai ter que se virar com carona de colegas ou sair mais cedo para fazer o trajeto de ônibus. Ele ficou sabendo da mudança pelas redes sociais e confirmou por meio de um panfleto que o Sindmetrô entregou na Estação Central hoje à tarde.

O sindicato alega que deseja que o GDF cumpra o acordo feito em 2015. Nele, havia o pedido de reajuste salarial de 8,4%, com retroativo, e a contratação de 631 metroviários que passaram no último concurso – 331 para entrada imediata e 300 para o cadastro de reserva. Como as demandas estavam vinculadas à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e os cofres do GDF tiveram uma melhora em outubro, o Sindmetrô cobra que o governo volte à mesa de negociação.

“Tentamos negociação o mês todo. Eles não respondem nada. Dizem que não querem abrir precedente com essa decisão para a categoria. Se o governo chamasse para a negociação seria diferente. A gente está há três anos sem aumento”, alega a diretora de comunicação do Sindmetrô-DF, Renata Campos.

Por volta das 10h, haverá uma manifestação dos metroviários em frente ao Palácio do Buriti. A intenção é forçar o GDF a dar alguma resposta para a categoria.

Versão oficial

A Secretaria de Mobilidade informa que, apesar da decisão judicial, manterá um esquema especial que prevê o reforço da frota de ônibus com mais 26 linhas que passam paralelas às estações, saindo de Samambaia, Águas Claras, Taguatinga, Ceilândia e Guará. Além disso, a população contará com 67 veículos a mais, sendo 51 articulados.

O Departamento de Trânsito (Detran) e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) informam que, somente nesta quinta, depois de avaliação, tomarão decisão sobre a liberação das faixas exclusivas.

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