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Brasília

Metroviários do DF aprovam paralisação por tempo indeterminado a partir de 1º de setembro

Os funcionários do Metrô-DF cobram a realização do concurso público, cumprimento do Acordo Coletivo e melhorias na segurança

Redação Jornal de Brasília

28/08/2026 18h20

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Foto: Amanda Karolyne/Jornal de Brasília

Quem usa o metrô para se deslocar vai precisar reavaliar os planos. A partir da próxima terça-feira, dia 1º de setembro, os trabalhadores do Metrô-DF vão entrar em paralisação por tempo indeterminado. A decisão foi confirmada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários do Distrito Federal (SindMetrô-DF), que reivindica principalmente a realização de um novo concurso público. A categoria espera que a contratação de novos funcionários melhore as condições de trabalho e a qualidade do serviço prestado à população.

Segundo Amanda Souza, diretora de comunicação e mobilização do SindMetrô, uma nova assembleia está marcada para o dia 31 de agosto para definir a logística do movimento, o quantitativo de atendimento mínimo e avaliar eventuais novidades no processo. Amanda afirmou ainda que a categoria irá ponderar a decisão caso a gestão do Metrô-DF apresente novas propostas em relação ao que já foi debatido até o momento.

Amanda considerou um absurdo a forma como o órgão se posicionou frente ao anúncio da paralisação. “A data-base vence no dia 1º, porém a gente está negociando com o Metrô desde novembro do ano passado”, lembrou. As negociações e o debate com a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF), dizem respeito ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) de 2026. A diretora destacou que a empresa responsável pelo Metrô teve conhecimento das reivindicações, repassou a pauta para a secretaria responsável e, ainda assim, pediu mais 10 dias de prazo. “Estamos entrando em setembro. Quantos meses se passaram para uma questão em que o Metrô pediu esse prazo de 10 dias para o concurso público que é de conhecimento de todo mundo? A gente tem visto nas estações cada vez mais funcionários sozinhos.”

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Foto: Amanda Karolyne/Jornal de Brasília

Ela acrescentou que o processo administrativo para a realização do certame já estava sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Economia desde 2024. O objetivo dos metroviários é evitar que a demanda permaneça nesta situação por mais um ano. “Quantos anos mais a gente tem que esperar para que essa greve não seja considerada prematura?”, questionou.

O concurso é a principal pauta da categoria. Amanda lembrou que o procedimento pré-processual conduzido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) apresentou uma proposta de redação final para o acordo coletivo, que teria sido aprovada pelos metroviários, mas falta ainda a aceitação formal do Metrô-DF. Para ela, estender os prazos pode prolongar ainda mais o fim da negociação.

Além da realização do certame, a categoria reivindica o cumprimento integral do Acordo Coletivo vigente. “A gente pede o cumprimento da Ação Civil Pública em que o Ministério Público exige a contratação de seguranças aprovados no concurso de 2013.” Os trabalhadores também exigem o aceite da proposta do TRT-10, que inclui o concurso, a regularização do pagamento de horas extras e do Descanso Semanal Remunerado (DSR) em convocação, bem como as garantias da Ação Civil Pública.

A representante dos metroviários citou os problemas recentes que os usuários do Metrô têm vivido, para salientar a sobrecarga enfrentada pelos trabalhadores. “A gente também reivindica melhores condições de trabalho, porque hoje a gente vê a realidade de um empregado na estação: às vezes, com essas incidências de sucateamento, fica muito complicado para uma pessoa só atender.”

De acordo com Amanda, a redução na equipe de vigilância que os funcionários do Metrô sofreram recentemente, afetou a segurança dos passageiros e o cotidiano da operação. “A gente tem visto o descarrilamento de trens e composições parando por falta de peças. Tudo isso afeta nossas condições de trabalho também.” Na última semana, no dia 24 de agosto, passageiros precisaram desembarcar dos vagões e caminhar pelos trilhos devido a uma descarga elétrica no sistema. “E só tem uma pessoa responsável na estação, e ela tem que socorrer alguém que está lá no meio da via, porque são os mesmos funcionários da estação que vão fazer esse resgate das pessoas”, frisou.

Outras situações de transtorno para os passageiros ocorreram em agosto. Nos dias 20 e 26, houve registro de problemas de sinalização e furtos de cabos que causaram lentidão e retenção de usuários. No dia 27 do mesmo mês, as portas dos trens apresentaram falhas na Estação Central, o que obrigou a evacuação do veículo, ocasionando um tumulto no local. Em julho, o metrô ficou parado entre as estações 112 Sul até a Central, devido a um descarrilamento.

A mobilização para atender a falhas operacionais recorrentes deixa as estações desassistidas, o que reforça a necessidade de recomposição do quadro de trabalhadores. “Sem funcionário não tem segurança no metrô para o usuário e nem para o empregado que está trabalhando”, salientou. “A gente está pedindo concurso público, tanto é que é a nossa principal bandeira; a gente não está falando nem de salário, nem de outras coisas. A gente precisa de gente para trabalhar, para que tenhamos condições melhores de trabalho.”

Greve prematura


Em nota, a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) informou que permanece comprometida com a negociação do Acordo Coletivo de Trabalho de 2026 e com a busca por uma solução consensual. Apesar disso, a empresa avalia a decisão de paralisar os serviços como prematura.

A empresa ressaltou que, no final de março, por iniciativa do próprio SindMetrô, foi instaurada uma Reclamação Pré-Processual (RPP) perante o TRT-10 para mediar as tratativas entre trabalhadores, a gestão do Metrô e o Governo do Distrito Federal (GDF). “Desde o início da mediação, o METRÔ-DF tem participado ativamente de todas as tratativas conduzidas pelo Tribunal, adotando providências administrativas concretas para viabilizar as reivindicações apresentadas.”

Ainda de acordo com o comunicado enviado à imprensa, diversos pontos da pauta obtiveram encaminhamento favorável da direção da estatal e do governo. A Companhia reforçou que o processo no TRT-10 continua ativo e não foi encerrado. Sobre o concurso público, o órgão reconhece a urgência da pauta para reestruturar o quadro de pessoal e assegura não haver resposta negativa por parte do GDF ou da empresa. “O processo administrativo encontra-se em efetiva tramitação perante a Secretaria de Estado de Economia do Distrito Federal (SEEC-DF), com atuação conjunta dos órgãos envolvidos para o cumprimento das etapas legais, fiscais, orçamentárias e administrativas necessárias à sua autorização, tendo sido aprovado inclusive pela Subsecretaria de Gestão de Pessoas.”

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Foto: Amanda Karolyne/Jornal de Brasília

O Metrô-DF ressaltou que acompanha o andamento do processo e adotou as providências necessárias para viabilizar a seleção o mais rápido possível. “Diante desse cenário, a Companhia considera prematura a deflagração de movimento paredista enquanto permanece aberta a negociação mediada pelo próprio TRT-10.” A empresa ressaltou ainda que houve avanços práticos nas negociações e que medidas operacionais seguem em andamento. “O METRÔ-DF reconhece e respeita o direito de organização e representação dos seus empregados, mas ressalta que uma paralisação do sistema metroviário, neste momento, poderá produzir impactos significativos sobre a mobilidade urbana e, principalmente, sobre a população do Distrito Federal que depende diariamente do transporte público para seus deslocamentos.”

O Metrô-DF manteve aberta a via do diálogo com os representantes sindicais. “A Companhia entende que, enquanto houver negociação efetiva, avanços concretos e medidas administrativas em andamento, o diálogo permanece sendo o caminho mais adequado para a construção de uma solução equilibrada, capaz de conciliar os interesses dos trabalhadores com a continuidade do serviço prestado à população do DF”, concluiu.

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