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Brasília

Meta da Caesb é atender 100% do DF com água tratada e coleta de esgoto

Arquivo Geral

16/02/2019 11h34

Foto: Tony Winston/Agência Brasília

Da Agência Brasília

Como é a qualidade da água que vem da rua e chega na torneira da casa do brasiliense? O novo presidente da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Fernando Leite, responde de pronto e com precisão: “Excelente, inclusive para consumo!”. Com a experiência de três mandatos consecutivos à frente da empresa (entre 1999 e 2011), o engenheiro comemora o fato de o Distrito Federal estar além de outros entes federativos quando o assunto é água.

Seu retorno à companhia tem, entre outros desafios, o de cumprir um dos propósitos do governador Ibaneis Rocha: voltar a atender 100% da população com água tratada e saneamento básico. Atualmente esses índices são de, aproximadamente, 90% e 80%, respectivamente. Um dos obstáculos identificados pelo Governo do Distrito Federal é o lixo descartado no meio ambiente, o que compromete os lençóis freáticos e afeta diretamente a natureza. Além do óleo de cozinha jogado na pia depois de usado, o que dificulta o tratamento da água e encarece o serviço prestado pela empresa.

Em entrevista à Agência Brasília, Fernando Leite fala dos projetos da companhia em prol do consumidor, das ações para que o DF não enfrente de novo uma crise de racionamento, das obras do sistema Corumbá, da ampliação do laboratório de análise para atendimento à comunidade e do projeto que bonificará quem ajudar a companhia a economizar no processo de tratamento da água.

O que muda na sua volta à presidência da Caesb depois de 12 anos no comando da empresa?

A experiência talvez seja o fator mais importante, de ter passado, conhecido os problemas e estar voltando. Hoje há muita diferença, porque as soluções passam mais por tecnologia do que naquela época. Todo o aspecto que a gente discute para implementar, a gente busca uma solução tecnológica, digital. A nossa grande preocupação no ponto do desenvolvimento é essa transformação digital: na execução, na medição de diversos serviços, na gestão, na realização, no controle e na supervisão de obras; na operação de sistemas, no controle de perdas… Abre-se uma porta com muitas opções de tecnologia, para aumentar a eficiência da companhia.

 

 

Como é a qualidade na água que chega à casa dos brasilienses?

A qualidade é excelente. Ela sempre foi objeto de elogios. Nós temos um esmero muito grande com a qualidade da nossa água. Temos laboratórios bem equipados para aferir essa qualidade e há um rigor técnico muito grande das administrações em manter essa qualidade em alta.

Isso significa que essa água que sai da torneira pode ser consumida?

Sim. Ela sai da estação pronta para ser consumida da torneira. Existe uma preocupação do governo federal em padronizar a qualidade da água. O Ministério da Saúde define os padrões, então as empresas são obrigadas a cumprir sob pena de sofrer as sanções. O que a gente sempre orienta para o consumidor é que muitas vezes a água que passa pela caixa d’água é de pior qualidade do que a água que chega direto da rua. Por falta de limpeza e cuidado com a caixa d’água. É preciso cumprir uma rotina de limpeza da caixa. É muito comum ver algumas sem tampa. Imagina a contaminação que não tem em casos assim.

Essa atenção – e inspeção – deve ser feita, inclusive, por moradores de condomínios e prédios residenciais, que predominam nas áreas residenciais do Plano Piloto, não é isso?
Essa sua pergunta enseja uma colocação importante: a Caesb está concluindo os trabalhos para equiparação do laboratório de análise da água capaz de oferecer esse serviço à toda a comunidade. Se você mora em um condomínio horizontal ou vertical e quer saber a qualidade da sua água, é só cumprir as exigências da Caesb, ter um recipiente próprio para se fazer a coleta que a Caesb fará a análise dessa água. Inclusive água de poços cartesianos. Esse laboratório, chamado de R1, fica logo atrás do Palácio do Buriti, próximo à sede do Governo do Distrito Federal, ao DER. É um serviço que terá um custo e que será oferecido à comunidade. Estamos ampliando os equipamentos, pois o serviço existe, mas para análise interna. A nossa expectativa é que isso possa ser iniciado até o final do semestre.

Qual o grande desafio da sua gestão nestes quatro anos de governo que se tem pela frente?

Nessa volta à Caesb, nós temos muitos planos que são exatamente os planos do governador Ibaneis. Ele tem uma proposta, e nós vamos cumpri-la, que é deixar o DF com 100% de cobertura de água e 100% de coleta e tratamento de esgoto. Isso significa uma ação muito intensa, especialmente na periferia. O nosso programa de universalização contempla atingir, especialmente, o segmento mais pobre da sociedade que não tem esse serviço e que sofre mais por estar sujeito a doenças, por exemplo. É uma ação ousada, mas possível. Hoje a cobertura de água está em torno de 90% da população. E a de esgoto, que já foi de 100%, está em 80%, especialmente por causa desse crescimento desordenado na periferia. A nossa agenda positiva está focada nisso. Demandará muito investimento e muita obra.

Que orientação deve ser dada ao consumidor de Brasília para colaborar com o tratamento da água?

A primeira coisa é fazendo um descarte adequado do lixo. Nunca jogar lixo nas ruas porque isso vai ser levado para um lago ou rio. E ter todo o cuidado do mundo com o óleo de cozinha. As pessoas acabam o descartando na pia da cozinha. Isso não pode porque vai para a estação de tratamento de esgoto e compromete o tratamento da água. Nosso tratamento é biológico, então quando se joga o óleo queimado na água, ele mata as bactérias que fazem o trabalho de depuração nas estações de tratamento de esgoto. Daí o cuidado com o lixo é fundamental.

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