O estado de saúde do menino de 6 anos baleado no tórax por um policial civil na BR-070, na sexta-feira (6), ainda é grave, mas estável. De acordo com o boletim médico do Hospital Santa Helena, onde o garoto está internado, seu quadro apresentou melhora nas últimas 24 horas e não necessita mais do auxílio de aparelhos para respirar. O paciente permanece na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica.
Desde o ocorrido, o menino passou por quatro unidades de saúde. Primeiro, uma unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na Região Metropolitana e um hospital particular em Águas Lindas. Dali, ele foi transferido de helicóptero ao Hospital de Base e, enfim, levado à unidade privada na Asa Norte. No sábado, passou por uma cirurgia durante sete horas.
Relembre o caso
Na sexta à tarde, a família pegou a BR-070 rumo a Cocalzinho (GO), onde resolveria trâmites de um imóvel. Eles já tinham visto o carro branco fazendo ultrapassagem perigosa em uma curva e quase batendo em um caminhão. Em um trecho em obras, onde a pista deixa de ser dupla, o motorista teria dado várias brecadas. “Eu avisei ao meu marido que ele devia estar atrás de confusão e que quem faz isso não faz de peito aberto”, recordou a mulher, que recomendou que se distanciasse.
Ocorrências contra o policial
- Silvio Moreira Rosa tem seis ocorrências registradas em seu nome na Polícia Civil, entre 2005 e 2015, por briga, ameaça, lesão corporal, injúria e crime sexual. Sílvio Moreira Rosa começou a carreira em dezembro de 1983 e foi demitido em junho de 2001 por uma tentativa de fraude em aposentadoria. Treze anos depois, foi reintegrado à corporação por decisão administrativa do então governador Agnelo Queiroz (PT) no último dia de governo.
- Agora, a Corregedoria-Geral vai instaurar Processo Administrativo Disciplinar para julgar a conduta do agente de custódia lotado no Centro de Progressão Penitenciária (CPP).
Segundo a mãe, o policial tentou ultrapassá-los e chegou a ficar lado a lado na pista, mas não conseguiu completar a manobra. Pelo retrovisor, viu que o carro estava chegando muito perto. “Falei ‘acelera, ele deve estar querendo bater’. Calei a boca e começaram os tiros. Foi muito tiro. Quando eu entendi o que era, pedi que corresse ainda mais. Gritei para o meu filho tirar o cinto e se esconder atrás do banco. Quando meu marido o puxou para ajudar, ele já caiu. Meu filho caiu debruçado, com as costinhas cheias de sangue, roxo e gelado”, lembrou, em lágrimas.
Só então o pai da criança teria parado o carro. Enquanto o homem, ajoelhado, se desesperava, a mãe tentava fazer o menino reagir: “Eu não podia aceitar que meu filho estava morto. Eu o desvirei, ajeitei na cadeirinha e comecei a fazer massagem. Fiz massagem com muita força, a cabecinha dele balançava. Ele abriu o olho um pouco e disse ‘mamãe, eu estou com sono’ e vi que meu filho estava vivo”.
No sábado, o agente de custódia Silvio Moreira Rosa, 53 anos, autor do tiro, foi transferido da Delegacia de Águas Lindas (GO) para a unidade Estadual de Investigações de Homicídios (DIH), em Goiânia (GO). Segundo a Polícia Civil de Goiás, a mudança ocorreu para preservar a segurança do preso.
Após fugir, ele foi encontrado no carro dele em uma estrada de terra. Ele não teria reagido à prisão. À corporação goiana, identificou-se como policial, disse que a arma estava dentro do carro e afirmou que disparou porque achou que sofria uma tentativa de assalto.