O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Pequim (Bocog, em inglês) reconheceu hoje que a menina que emprestou sua voz à interpretação de “Ode à Pátria” na cerimônia de abertura do evento não subiu ao palco por decisão “dos diretores artísticos e dos produtores da festa”.
“Tomaram essa decisão por conveniência deles e elegeram a melhor voz e a melhor atriz”, explicou o porta-voz do Bocog, Wang Wei, depois da revelação de que a menina que cantava realmente foi descartada da cerimônia por seu aspecto físico.
A verdadeira cantora acabou substituída por uma menina que apenas dublou durante a execução de “Ode à Pátria”.
O diretor-executivo do Comitê Olímpico Internacional (COI) para os Jogos Olímpicos, Gilbert Felli, afirmou que foi “uma decisão técnica dos produtores do espetáculo e que é preciso situá-la na complexidade de uma cerimônia com 1.500 artistas”.
Quando questionado pela forma como ele pessoalmente teria explicado à menina escolhida por sua voz que não subiria ao palco para cantar, Felli disse que o teria feito como no caso dos atletas que são excluídos de suas equipes apesar de conquistarem boas marcas.
“É possível que existam diversas opiniões sobre o tema, e quando isso se torna pessoal alguém pode não gostar, mas em um contexto geral é diferente. Muitas meninas ensaiaram para esse papel e escolher uma deixava a outra de fora”, acrescentou Felli.
O diretor musical da cerimônia de abertura, Cheng Qigang, disse ontem que Lin Miaoke foi escolhida por ser muito fotogênica em função do “interesse nacional”, mas não por suas cordas vocais, e que Yang Peiyi, a cantora real, foi descartada, entre outras razões, por seus dentes pouco alinhados.
O porta-voz do Bocog rejeitou, por sua vez, a possibilidade de essa decisão ser entendida como algo desonesto.
“Os diretores e a TV queriam o efeito mais dramático em benefício do espectador. Não vejo preocupação”, acrescentou Wang Wei.