O Ministério da Cultura e a Petrobras garantiram o depósito de R$ 6 milhões para a construção do Memorial Darcy Ribeiro na UnB. “Assim que os recursos estiverem em mãos, a obra começa” conta Paulo Ribeiro, presidente da Fundação Darcy Ribeiro e sobrinho do fundador da UnB. Os acertos finais para a liberação do dinheiro deverão ocorrer na segunda quinzena de janeiro, numa nova reunião no Rio de Janeiro com representantes da Petrobrás.
Se os trabalhos tiverem início em fevereiro, a previsão é inaugurar o Memorial em julho de 2010. O prédio ficará entre a Reitoria e o ICC SUl, e será administrado conjuntamente pela UnB e a Fundação Darcy Ribeiro. O prédio abrigará uma biblioteca, espaços para estudo, salas de aula e um teatro, conhecido como Beijódromo.
O prédio a ser construído será um pouco diferente do projeto original, feito a quatro mãos pelo próprio Darcy Ribeiro e o arquiteto e professor aposentado da UnB Lelé Filgueiras. “Originalmente, o Beijódromo era a céu aberto, mas no novo projeto a arquibancada será coberta”, explica Paulo Ribeiro. Ele conta que a possibilidade de cobrir o Beijódromo chegou a ser aventada por Darcy, a fim de aumentar o conforto do público.
Para o arquiteto Lelé Filgueiras, a mudança não modifica o espírito do projeto original e permite que o espaço atenda a necessidades da Universidade e da Fundação. “O Memorial era pensado mais como uma biblioteca, não estavam previstas salas de aula, por exemplo”, conta Lelé. Com a cobertura, o Beijódromo também poderá ser usado como para atividades didáticas e de formação, além de ser um espaço de socialização. O reitor José Geraldo de Sousa Júnior lembra que o beijódromo foi concebido como um lugar onde estudantes e alunos pudessem expressar seu afeto, sem o qual a universidade não poderia ser feliz.
O material reunido por Darcy ao longo de sua vida estará aberto à visitação pública. São 30 mil livros que pertenceram a Darcy Ribeiro e a sua primeira mulher, a antropóloga Berta Gleizer Ribeiro; documentos pessoais, como cartas trocadas com oscar Niemeyer e o filósofo francês Jean-Paul Sarte; obras de arte brasileiras, como quadros de Portinari; e artefatos indígenas dos mais diversos. O acervo foi declarado pela Presidência da República como de utilidade pública e social. Hoje, todo o material encontra-se na sede da Fundação, no Rio de Janeiro.