Patrícia Fernandes
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No primeiro dia após o anúncio da transição, demora nas paradas foi grande
Embora a notícia da intervenção do GDF no Grupo Amaral tenha animado os usuários do transporte público, os passageiros vão precisar de paciência para que as melhorias aconteçam. O primeiro dia após o governo ter assumido a gestão da empresa foi marcado por paradas lotadas e ônibus com excesso de passageiros. Mesmo diante do cenário desanimador, a expectativa dos órgãos responsáveis pela administração das empresas é de que os usuários possam sentir os impactos positivos ainda nesta semana. Além disso, há a possibilidade da realização de contratos emergenciais para suprir a demanda.
“Estamos monitorando com lupa essa fase de transição e trabalhando no nível máximo dos nossos limites. E se vermos a necessidade de realizar alguma contratação, contamos com a autorização da Secretaria de Transportes para fazê-la”, diz o diretor-geral do DFtrans, Marco Antonio Campanella. Conforme essa possibilidade, empresas que já ganharam a licitação dos ônibus operariam nestas linhas, enquanto o certame não é concluído.
Segundo Campanella, a próxima etapa da transição já está definida: “É fazer diagnóstico de toda a frota, identificar os eventuais problemas, de manutenção e apresentar um plano de ação”, conta. Ele destaca que Planaltina e São Sebastião são as cidades em situação mais crítica. Em Planaltina, há 24 ônibus sem qualquer condição de rodar. Já em Sobradinho, 60% dos veículos estão parados e há 39 sem conserto.
Planejamento
De acordo com Carlos Alberto Koch, presidente da TCB, os contratempos não fugiram do previsto. “Tínhamos um planejamento detalhado e ele ajudou para que tudo transcorresse dentro do que esperávamos. A ação estava bem coordenada e já conseguimos alcançar a normalidade da rotina dos funcionários”, afirmou.
Segundo Koch, a ação tem tempo indeterminado. “A medida vai durar os meses que foram necessários. Estamos fazendo uma análise detalhada da situação da frota e o próximo passo é sanar os problemas encontrados”, finalizou.
Resultados
Ele destaca que as melhorias serão percebidas em curto prazo. “Até o fim de semana, algumas mudanças poderão ser notadas. Acreditamos que em 15 dias, os usuários percebam melhorias mais expressivas. Além disso, esperamos que os resultados também sejam dimensionados em números, com a recuperação de boa parte da frota”.
Os usuários aguardam com ansiedade o momento em que poderão sentir as melhorias: “As coisas só vão melhorar se colocarem ônibus novos”, diz a recepcionista Valdeisa de Almeida.
Opiniões divergem
Nas paradas de ônibus, a intervenção é o assunto mais falado. A diarista Maria de Fátima, 56 anos, afirma que não esperava encontrar tantos problemas após o anúncio do GDF. “Confesso que fiquei otimista com a decisão do governo, mas me surpreendi que a desorganização que encontrei hoje (ontem). Fiquei 40 minutos esperando. Antes, esperava no máximo 15. Tenho medo de como será daqui para frente”.
Mesmo com os problemas, muitos passageiros estão otimistas. “Para mim, tudo transcorreu normalmente. Acho que a população precisar ter calma”, afirma a moradora de Sobradinho, Joyce Ventura.
Para a estudante Daniela Lucena, o balanço é positivo. “Acredito que tudo tenha saído de forma muito melhor. Fiquei menos tempo na parada, o trajeto foi mais rápido. Foi uma viagem tranquila”, declara.
Esperança
O casal Marineide Teles e Reginaldo Gomes, de São Sebastião, divide a mesma opinião: “A quantidade de ônibus é insuficiente para atender a demanda da população. Eles estão sempre lotados e fora do horário”, afirma Marineide. Reginaldo acredita que os problemas podem estar perto do fim. “A esperança é a última que morre”, diz.