Fabiana Mendes
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A Secretaria de Saúde anunciou concurso para contratação de 550 médicos. Mas isso pode não resolver a crise que passa o setor. A maioria dos profissionais não quer o emprego devido ao baixo salário, às péssimas condições de trabalho e à falta de estrutura dentro dos hospitais públicos. Entre os que encaram o desafio, muitos desistem após dois ou três meses de trabalho. A Secretaria de Saúde admite que a situação é crítica, mas acredita que as mudanças propostas neste governo em relação à rede pública serão um atrativo para os médicos.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (Sindmédico), Marcos Gutemberg, além desses problemas, falta segurança para os profissionais da área. “Temos uma população muito grande que utiliza os serviços da rede pública. Se o sistema não funciona, as pessoas ficam revoltadas e quem paga o pato são os médicos. Eles brigam e atacam os profissionais”. E, segundo ele, muitos acabam desistindo porque não aguentam a situação do sistema.
Para atrair os profissionais, Gutemberg acredita que a primeira medida a ser tomada é aumentar o salário. “Para 20h semanais o salário inicial é em torno de R$ 3.600 e na rede privada chegam a pagar R$ 15 mil mensais. É um disparate”, afirma. Mas, de acordo com a Secretaria de Saúde, isso não é uma tarefa simples. Seria necessário passar por muitas aprovações até que houvesse qualquer tipo de aumento. Gutemberg reforça, ainda, que não adianta os médicos ganharem mais se nada for feito para melhorar a saúde da rede pública. “Não teria lógica ganhar bem e não ter estrutura dentro do local de trabalho.”
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