Dez estudantes, professores e residentes do Hospital Universitário de Brasília protestaram, na tarde desta segunda-feira, 21 de setembro, contra a exoneração do professor Dioclécio Campos Júnior do cargo de chefe do Centro de Clínicas Pediátricas do HUB. O grupo se reuniu com o reitor José Geraldo de Sousa Junior para pedir a volta de Dioclécio, afastado do cargo no último dia 16.
A exoneração foi decidida após a equipe da pediatria comunicar a interrupção do atendimento a recém-nascidos. “Fechamento de serviço não é uma coisa simples assim, é preciso avisar a Secretaria de Saúde e pensar em formas de remanejar os pacientes”, esclarece a vice-diretora do HUB, Elza Noronha. Para evitar problemas, a direção do hospital suspendeu a internação de gestantes na quinta-feira passada. Os médicos e enfermeiros ameaçaram interromper o atendimento por falta de profissionais e de infraestrutura de trabalho.
O diretor do hospital, Gustavo Romero, explica que a administração trabalha para aglutinar profissionais nos setores mais críticos. “Se tivermos que fechar os leitos, paciência, mas vamos fazer de tudo para manter o serviço em funcionamento”, diz Romero. O professor Dioclécio afirma que, se houve insubordinação, não foi dele, mas de toda a equipe da pediatria. “Eu não concordo que a minha dispensa da chefia seja a solução para a crise no setor”, afirma.
Colegiados
O reitor José Geraldo diz que a volta de Dioclécio à chefia da Pediatria não depende de decisão da Reitoria, e sim de deliberação dos órgãos competentes. “Isso está na esfera da gestão compartilhada, deve passar pela direção do HUB, pelo conselho deliberativo do hospital e pela própria Faculdade de Medicina. Inclusive para que seja verificado se houve arbitrariedade na dispensa”, destaca.O reitor também se manifestou contrário ao fechamento do serviço no berçário do HUB. “O gestor tem que ser o artífice da solução e não o fomentador do colapso. A solução precisa ser nossa”.
A situação do HUB se repete em outros hospitais universitários do país. O Ministério da Educação calcula que a carência seja de 5.443 profissionais. No HUB, cinco plantonistas do quadro se revezam durante a semana para cuidar dos partos, dos recém-nascidos e dos bebês que precisam ficar na UTI. Eles também ajudam os estudantes de Medicina e os residentes do hospital. “O programa de residência médica é para a prática e para a aprendizagem. Se não temos profissionais para nos auxiliar, isso fica incompleto”, diz a residente da Pediatria Rebeca Costa. Ela e outros seis recém-formados que trabalham no setor ameaçam com indicativo de greve caso não haja contratação imediata de servidores.
A maioria dos 2.230 funcionários do hospital (1.153) são terceirizados ou prestadores de serviços. No caso dos servidores vinculados à Fundação Universidade de Brasília (754), o problema é o salário. Para se ter uma ideia, o piso para um trabalhador de nível superior da FUB é de R$ 1.900. Os médicos da Secretaria de Saúde recebem, pelo menos, o dobro disso.