Está previsto para esta terça-feira (29), o retorno ao trabalho da médica responsável pelo atendimento da menina Rafaela Luiza Formiga Morais, de um ano e sete meses. A criança morreu após receber uma superdosagem de adrenalina quando deu entrada no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMib).
De acordo com informações da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, o atestado médico apresentado pela profissional expirou nesta segunda-feira (28). Ela é filha do presidente do Conselho Regional de Medicina do DF (CRM/DF). As informações dos laços familiares foram confirmadas pelo Ministério Público do Distrito Federal que também acompanha o caso.
Rafaela foi levada pelos pais à unidade de saúde no último domingo (24) por causa de uma crise alérgica. No atendimento, que, conforme consta no prontuário, foi feito por uma médica residente, a criança foi diagnosticada com urticária e deveria tomar uma injeção. Porém, a dose de adrenalina receitada, de 3,5 ml, para uma criança de apenas 12 quilos, é considerada alta, e provavelmente causou o óbito.
“Quando foi aplicar a injeção, o enfermeiro desconfiou da dose. Disse que estava errada e pediu que eu confirmasse com a médica. Conversamos com ela, e ela garantiu que estava certa e autorizou a aplicação. Cinco minutos depois, a minha filha começou a agonizar, a gritar de dor”, lembra, emocionada, a mãe da menina, Jane Formiga, de 31 anos.
UTI
Após a aplicação do medicamento, a criança apresentou efeitos colaterais como falta de ar, convulsão e, também, cinco paradas cardíacas, sendo a maior delas de 1h15. Por causa da falta de leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a paciente foi transferida para o Hospital Regional de Santa Maria, onde recebeu tratamento paliativo e veio a falecer na tarde da última quarta.
Segundo a mãe da criança, em momento algum, mesmo com a opinião de outros profissionais, a médica recuou com a medicação que supostamente foi administrada em dose maior que o recomendado. Chorando a perda da filha, ela pede justiça. “Ela sofreu muito, agonizou e teve muita dor. Além da dor da perda, neste momento, me sinto revoltada por causa do erro de uma médica residente que custou a vida da minha filha”, desabafa. Desolada, Jane conta que já perdeu um filho no segundo dia de vida.
Sindicância
O fato foi registrado na 32ª DP (Samambaia), que aguarda o laudo com as causas da morte. Sobre o incidente, a Secretaria de Saúde informou que abriu sindicância para apurar se os procedimentos adotados foram corretos.
Embora a família tenha em mãos o prontuário em que mostra todos os medicamentos administrados, exames e os médicos que atenderam a criança, inclusive com o nome de uma residente, a pasta afirmou que “as prescrições foram feitas por profissionais do quadro efetivo da secretaria e não por residentes que participaram do atendimento em outros momentos”.