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Brasília

Mecânica sem segredos para mulheres

Arquivo Geral

19/10/2012 7h04

Isa Stacciarini
isa.coelho@jornaldebrasilia.com.br

 

Uma luz acesa no painel do carro não precisa mais ser motivo para uma crise de ansiedade. Conferir a água do radiador e verificar o nível do óleo, tarefas que antes pareciam ser impossíveis, agora podem ser realizadas tranquilamente por mãos femininas.  Mecânica e funcionamento de um veículo nunca foram  tarefas  fáceis para mulheres, mas elas agora  querem se  tornar entendidas. A prova dessa nova atitude é a grande procura pelo curso de mecânica exclusiva para as condutoras oferecido pelo Departamento de Trânsito (Detran-DF).  Os conhecimentos a que têm acesso tornaram-as capazes inclusive de manter a calma diante  de um pneu que acabou de furar. 

 

O interesse e desempenho das 50 alunas do curso, divididas em duas   turmas – matutino e vespertino –, são provas vivas de que o trocadilho mulher ao volante perigo constante se tornou fora de moda. Pelo contrário,  quando o assunto é  mecânica de carro, esmalte e graxa se casam em uma boa combinação.

 

“Posso ser linda e estar maravilhosa mesmo entendendo de mecânica”, destaca  Joana Xavier, 37 anos, uma das alunas do curso.
A autônoma conta que a vaidade nunca foi deixada de lado durante os anos de paixão por máquinas, tratores e até caminhão. Joana já dirigiu veículos pesados e agora quer entender um pouco mais sobre o funcionamento do próprio veículo. “Às vezes, a gente leva o carro em um mecânico e ele acaba fazendo serviços sem necessidade. Agora, quando der algum problema, eu já sei como agir e talvez até consertar sozinha”, diz.

 

E a diversidade de profissões e idades das mulheres que querem mostrar  que entendem de carro é grande. São alunas de 60 anos, jovens na casa dos 20 anos, aposentadas, donas de casa, graduadas e, inclusive, uma proprietária de locadora de veículos. É o caso da comerciante Dênia Duarte, 43 anos. “Quero conhecer mais de carros para vender melhor meu produto. Vai ser um diferencial até para negociar com o cliente ”, destaca.

 

Enrolada

 

Já a fisioterapeuta Taynah Brider, 27 anos, revela que o desejo de ingressar no curso surgiu após se sentir incomodada com a falta de domínio sobre o funcionamento do carro. “Quero me sentir menos enrolada, além de saber argumentar com o mecânico e não ser lesada pelo profissional que acaba querendo fazer além do que é necessário”, aponta.

 

 

A gerente da Escola Pública de Trânsito do Detran-DF, Fabiana Lagar, explica que o curso nasceu por demanda das próprias alunas que demonstraram interesse  no funcionamento dos veículos. As aulas são ministradas em três etapas: relações interpessoais no trânsito, prevenção de acidentes e noções básicas de mecânica.

 

“O objetivo é mostrar que a mecânica é possível de ser entendida. Culturalmente, há ideia de que mulheres não compreendem e não gostam de carro, mas isso pode ser mudado”, aponta. Segundo Fabiana, os ensinamentos vão auxiliar a condutora no dia a dia com o automóvel e com a segurança no trânsito. “Elas aprendem a trocar pneu, interpretar o manual do carro e o significado de cada luz que  acende no painel”, ressalta.

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