As novas regras para o credenciamento e avaliação dos mestrados profissionais são analisadas com cautela pela comunidade acadêmica. Ao mesmo tempo em que se comemora o reconhecimento da especificidade desse tipo de curso, cheap professores, order gestores e alunos aguardam a melhor definição de critérios.
O Ministério da Educação regulamentou os mestrados profissionais em portaria publicada no Diário Oficial de terça-feira, 23 de junho. Contudo, os detalhes sobre as regras da avaliação ainda serão estabelecidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (Capes).
“O processo de avaliação deverá ser bem definido para que as instituições tenham clareza sobre o que se espera desses cursos”, afirma a decana de Pesquisa e Pós-graduação da UnB, Denise Bomtempo. Para ela, é importante que os mestrados profissionais não atendam simplesmente uma demanda de mercado. “Eles precisam estar vinculados também às demandas sociais”, destacou.
Até então, os mestrados profissionais seguiam as mesmas regras dos acadêmicos. Com a portaria, duas importantes diferenças foram colocadas entre as modalidades. Nos mestrados profissionais – voltados mais ao conhecimento aplicado – poderão ser admitidos professores sem mestrado e doutorado, desde que tenham experiência de mercado.
Além disso, os estudantes desses cursos não precisarão apresentar dissertação. Abriu-se uma vasta possibilidade de trabalhos finais, como artigos, patentes, materiais didáticos e produção artística.
INCENTIVO – Com a medida, o MEC quer incentivar a criação de mais mestrados profissionais, especialmente nas instituições públicas. Conforme o último levantamento da Capes, hoje essa modalidade representa 18% dos mestrados. “Acredito que muitas instituições não têm interesse nos mestrados profissionais porque eles seriam avaliados pelos mesmos padrões dos cursos acadêmicos. Havia o temor da nota baixa”, afirmou o ministro da Educação, Fernando Haddad, ao jornal Estado de S. Paulo.
A portaria prevê o lançamento de um edital para convocar universidades e faculdades a criarem os cursos, inclusive transformando especializações lato sensu em mestrados profissionais. O impulso pode ser explicado pela meta do Programa Nacional de Pós-graduação do governo, que é formar 16 mil doutores por ano até o fim de 2010. Atualmente, estão em 10 mil.
A UnB, segundo a decana Denise Bomtempo, terá cautela. “As decisões passarão pelos colegiados”, pontua. A instituição possui sete mestrados profissionais e 59 acadêmicos. Os profissionais estão avaliados com notas três e quatro da Capes (o máximo é sete), segundo os critérios anteriores. O professor responsável pelo mestrado profissional da Engenharia Elétrica, Luís Molinaro, diz que o reconhecimento do caráter do curso no credenciamento e avaliação é importante para a qualificação mais adequada.
QUALIDADE – “São cursos que atendem às demandas de mercado e seguem cadeias de disciplinas pré-estabelecidas conforme essa demanda”, afirma Molinaro. O coordenador da pós-graduação do departamento, Franklin da Costa Silva, acredita que a mudança a respeito dos trabalhos finais não significa perda de qualidade. “Independentemente da modalidade, exigirão embasamento teórico”, afirma. Na Engenharia Elétrica, a oferta do curso é feita em conjunto com empresas públicas e mistas. Elas financiam a proposta.
Mas nem todos os mestrados profissionais da UnB seguem esse padrão. O mais antigo, o de Gestão Econômica, vinculado ao Departamento de Economia, é aberto aos profissionais de diferentes áreas e é gratuito. Segundo o responsável pelo curso, Jorge Nogueira, o que o diferencia do mestrado acadêmico é a oferta integrada de disciplinas teóricas e aplicadas, além do perfil do aluno.
O que mais preocupa Jorge Nogueira nas novas regras estabelecidas é a não obrigatoriedade da dissertação. Nogueira não pretende abrir mão desse quesito no curso. “A dissertação é importante para complementar a formação profissional do nosso estudante”, destaca. O professor também demonstra receio na contratação de técnicos para ministrar disciplinas. O ideal, na sua visão, é que profissionais colaborem com os mestres e doutores em algumas aulas.
Na avaliação de Jorge Nogueira, é preciso cuidado ao detalhar as regras para que não se estimule a criação de cursos de pouca qualidade. Segundo ele, os mestrados profissionais sofreram preconceito quando começaram a ser criados. “Eles foram encarados com desconfiança por alguns pela sua vinculação ao mercado. Tem gente que confunde mercado com coisa ruim. As pessoas que estão trabalhando querem um curso bom”, avalia.