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Brasília

Marketing?

Arquivo Geral

12/07/2016 7h00

Atualizada 11/07/2016 22h00

Não faço parte da relação de fãs de Cristiano Ronaldo. O acho, com sinceridade, arrogante e por demais narcisista. Sempre mais preocupado com seu “eu” do que com o grupo. Sei, também, que esta impressão é de muita gente que trabalha com o esporte. Por esta razão, inclusive, o português perde muitos votos nas eleições de melhor do ano – que está vencida, já, a menos que algum marciano surja e comece a fazer nevar no Saara ou acabar com a corrupção no Brasil. Devo admitir, porém, que o CR7 foi fundamental para a conquista de Portugal na Eurocopa terminada domingo, em Paris.

Não sei se por marketing, mas a grande verdade é que Cristiano Ronaldo transformou-se num exemplo de capitão de uma seleção. Jogou com seus companheiros até quando não estava em campo, como na decisão de domingo, quando contundiu-se com menos de meia hora de jogo e deixou o gramado do Stade de France. Chegou a exagerar em alguns momentos, querendo ser mais do que o treinador (uma recaída do “eu narcisista”?), mas a grande verdade é que sua presença à beira do gramado foi fundamental para Portugal chegar aonde chegou. Diria até que sua ausência foi o gás que poderia ter faltado em mais uma prorrogação (a terceira) que Portugal encarou na competição.

As lágrimas, que espero tenham sido sinceras, mostraram que naquele momento Cristiano Ronaldo tirava um peso de seus ombros. Ao contrário do seu maior rival na hora de saber-se quem é “o melhor do mundo”, CR7 conseguia um título com Portugal. Messi não. Pior: o argentino ficou em campo até o fim na Copa América Centenário e ainda bateu para os céus um pênalti. Cristiano não estava em campo, mas levou sua seleção à conquista. Valeram, sem dúvida, suas lágrimas.

Aos fãs de Cristiano Ronaldo, que devem estar xingando o colunista neste momento de dúvida sobre sua efetiva participação, lembro de dois fatos ocorridos quando os jogadores portugueses voltaram ao gramado, já com a taça nas mãos, para festejar. Enquanto os companheiros pularam cartazes de publicidade e buscaram o carinho da torcida, CR7 ficou “do outro lado”, dividindo as atenções dos fotógrafos (alguns não sabiam o que registrar, se a festa de todos ou o êxtase de Cristiano Ronaldo). Depois, quando praticamente todos já haviam se recolhido para o vestiário, ele ficou, de novo, só e alvo de todas as atenções para ser fotografado fazendo gracinhas com o troféu.

Repito: marketing ou não, a atuação de Cristiano Ronaldo foi fundamental para a conquista portuguesa. Sua demonstração de liderança, seus gritos, gestos e até provocações, mexeram, sim, e muito, com seus companheiros. Agora, ele volta ao Real Madrid (que lutará pelo título mundial no fim do ano, no Japão) consagrado como um verdadeiro astro do futebol. Não se poderá mais dizer que é apenas “um jogador de clube”, estigma que persegue, ainda, Lionel Messi, que jamais repete na seleção argentina as atuações que realiza com a camisa do Barcelona. A conquista na França garantiu a CR7 seu lugar, de vez, entre os gigantes do futebol. E a festa portuguesa valeu, muito, para todos nós.

Flor do Lácio

Com o Chile tendo conquistado a Copa América de 2015, a vaga da Conmebol na Copa das Confederações do ano que vem “falava” espanhol. Estávamos, nós Brasil, fora. E, com isso, nosso idioma também. A vitória de Portugal teve este mérito, também: mais uma vez teremos o português, a chamada “última flor do Lácio”, entre os idiomas falados e ouvidos na Copa das Confederações – e com um detalhe importante: quem sabe não tenhamos um duelo entre Portugal e Alemanha (classificada por ser a atual campeã mundial), em 2017, em Moscou e São Petersburgo? O importante, repito, é saber que de novo o português será lembrado. Pena que não seja com a nossa seleção. “Obrigado”, Dunga…

Contrastes

Claro que o jogo de logo mais entre Palmeiras e Santos mereceria, por si só, uma coluna inteira. Afinal de contas, trata-se de um dos maiores clássicos do futebol brasileiro e envolve o líder do Brasileiro contra uma equipe que pode entrar no G-4, mas… Os efeitos da Eurocopa ainda estão vivos na memória de todos. Domingo, no Stade de France, pudemos ver milhares de portugueses “cercados” por outros tantos milhares de franceses sem que um só tumulto se verificasse. Ao contrário. Demonstrando até mais educação do que seus jogadores, que evitaram colocar a medalha de vice-campeão no peito, os torcedores da França permaneceram no estádio para aplaudir a seleção lusitana. Do lado de fora, porém… Com a fanfest lotada, no Campo de Marte, os acessos foram fechados. E houve tumulto, briga, ações extremadas da polícia… Pena. O que esperar da Copa das Confederações, na Rússia?

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