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Brasília

Manifestações: nada de excessos, avalia o governo

Arquivo Geral

18/06/2013 11h11

Em maior escala  do que se viu ontem, a Polícia Militar não poupou balas de borracha, spray de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo no último sábado,   segundo dia de manifestações no DF, em plena abertura da Copa das Confederações. O secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, classificou a atuação da Polícia Militar nos protestos de sábado como “perfeita” e afirmou que a ação “não poderia ter sido mais equilibrada”. Para as autoridades, as ações mais radicais aconteceram após uma suposta tentativa de invasão do Estádio Nacional. 

 

Avelar minimizou o fato de um repórter do Jornal de Brasília ter sido atingido diretamente no rosto por um spray de pimenta (veja a foto ao lado). Os excessos, segundo o comandante da PM, Jooziel de Melo Freire, podem ser denunciados na corregedoria da corporação.

 

A versão das autoridades   é de que cerca de duas mil pessoas se reuniram às 9h na Rodoviária e eram monitoradas pacificamente. No trajeto até o estádio, os policiais cercaram os manifestantes, mas não houve incidentes. Segundo a Polícia Militar, a situação saiu do controle por volta das 14h30, quando cerca de 200 pessoas tentaram invadir o estádio e foram contidos com balas de borracha, spray de pimenta e bombas de gás.

 

“Nós, até o último momento, conversamos, negociamos, respeitamos o tempo todo o direito à livre manifestação. Enquanto tinha um grupo maior de manifestantes defendendo realmente seus pontos de vista, não houve embate, conflito nem situação que fosse necessário atuar com mais energia. Aconteceu só quando a manifestação já estava dispersada. Um grupo menor de radicais decidiu tentar entrar à força no estádio”, defendeu.

 

O coronel Jooziel de Melo Freire descartou que o policiamento tenha exagerado na contenção dos protestos. “Não adianta. Na hora que a polícia é enfrentada e que atua, bala de borracha machuca, gás incomoda e isso, em hipótese alguma, caracteriza excesso. Muito pelo contrário, são equipamentos usados no mundo inteiro”, defendeu. 

 

 

Até mesmo o atropelamento de um manifestante por um policial de moto foi minimizado pelo coronel. O fato foi interpretado como um acidente.

 

 

“Velhas lembranças da ditadura”

 

 

O balanço de prisões de sábado ficou em 19 adultos e dez menores, encaminhados à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA). Ninguém permaneceu preso em consequência da manifestação. Pelo menos 25 manifestantes e quatro policiais ficaram feridos.

 

O Partido Popular Socialista (PPS) divulgou uma nota de repúdio à atuação da polícia. “São cenas dignas de velhas e tenebrosas lembranças da ditadura. Mas nas  palavras do secretário de Segurança,   pasmem!, as ações da polícia foram “exemplares”. O texto destaca o valor do estádio, R$ 1,7 bilhão, e afirma que o partido está solidário aos manifestantes. 

 

Para o sociólogo Antônio Flávio Testa, especialista em segurança,   o uso de balas de borracha pode ser classificado como exagerado. “Existem outras ferramentas para se conter a multidão, como o   uso de jatos de água. Além disso, corre risco de atingir quem não tem nada com isso”, disse. “Assim como aconteceram excessos na manifestação contra o governo Arruda, onde a cavalaria partiu para cima dos manifestantes, me parece que a  Segurança   precisa treinar melhor os policiais”, comparou.

 

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