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Brasília

Manhã com duas mortes em São Sebastião

Arquivo Geral

08/08/2009 0h00

“São Sebastião é assim. Tem época que é uma tranquilidade, mas quando explode a violência é uma ocorrência  atrás da outra”. Essas são as palavras de quem acompanha a rotina de crimes na cidade, o cabo Claudean dos Santos Andrade, da 17ª Companhia de Polícia Militar Independente (CPMInd). A declaração foi dada,  na manhã de ontem, após duas pessoas, em situações diferentes, serem mortas a tiros.

A primeira vítima de homicídio foi o motorista de frete Rubens Gomes, 43 anos. Ele morreu em frente ao ponto onde trabalha, fazendo fretes com seu caminhão, na esquina 14, do bairro Vila Nova, em São Sebastião. Ele foi morto, por volta de 8h, por um homem, ainda não identificado pela polícia, que disparou quatro tiros. Testemunhas disseram que o homicida, um homem magro, de pele branca, vestido com uma blusa vermelha e um boné azul, fugiu em direção ao bairro São José.


A irmã da vítima, Teresa Moreira da Silva, 47 anos, estava desolada. “Por favor, descubram quem matou meu irmão. Prendam quem fez isso”, pedia. Ela descreve o irmão como um homem tranquilo, trabalhador, pai de três filhos. Teresa diz que seu irmão não fumava ou bebia, sendo seu único vício pescar. “Agora, estou preocupada com a casa que ele acabou de comprar no Morro da Cruz, pois sua mulher tem problemas de saúde e não sei como ela fará para terminar de quitar a dívida”, disse. Vítima indireta da violência, ela diz que, há três meses, um enteado morreu também por disparo de arma de fogo em um local próximo ao da morte de seu irmão.


Uma pessoa próxima a Rubens, que não quis se identificar temendo represálias, disse que a vítima sofria ameaças desde março porque havia trocado um caminhão por outro. “O motor do caminhão deu problema e o mecânico atestou que  não era original. Ele tentou  desfazer a troca e, como não conseguiu, recorreu à Justiça”, disse. Desde então, contou, o filho do homem com quem ele havia feito o negócio vinha fazendo ameaças. “Ontem (quinta-feira) mesmo, ele foi à casa de uma parente dizer que estava sendo ameaçado”.
Investigação
O delegado que investiga o caso João Carlos Lóssio, chefe da 30ª DP (São Sebastião), disse que há duas linhas de investigação para elucidar esse crime. “A primeira é essa da troca de caminhões, mas há ainda outra mais quente que não iremos divulgar para não comprometer as investigações”, disse. Ele informa que Rubens não tinha passagens pela polícia.



O segundo homicídio foi cerca de duas horas depois do primeiro, na quadra 303 do Residencial Oeste. Por volta de 10h, um homem em uma moto preta chegou até Wanderson Barbosa Araújo, 21 anos, conhecido na região como Miguinha, e deu dois tiros no rapaz, um no rosto e outro no peito. Wanderson ainda foi socorrido com vida pelo Corpo de Bombeiros e morreu no Hospital do Paranoá (HRP), ainda na manhã de ontem.


Uma testemunha, que não quis se identificar, disse ter ouvido cinco ou seis tiros. A testemunha correu e  viu o homem de moto fugindo. Ao chegar ao local do crime, percebeu que Wanderson sangrava muito pela boca. Ele disse que um amigo da vítima, que estava junto com ele na hora do crime,  sobreviveu ao atentado e se escondeu atrás de um carro.


“O Miguinha morreu? Então vai recomeçar a guerra de gangues em São Sebastião”. Essa foi a reação de um jovem ao ser informado da morte. Segundo a polícia, Wanderson  pertence à Gangue das 200, uma das que atuam em São Sebastião. Ele sofreu uma tentativa de homicídio no dia 28 de abril. Wanderson tinha passagens pela polícia por homicídio e tentativa, roubo, porte de arma e uso de drogas. Todas foram registradas  quando ainda era menor de idade. Após completar 18 anos, teve uma passagem por disparo de arma de fogo.

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