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Brasília

Mané Olímpico

Arquivo Geral

14/08/2016 12h31

Pelos inícios de 1982, eu escrevi para a coluna que mantinha no Jornal de Brasília não ter sentido o estádio da capital do país homenagear o governador que iniciara a construção, Hélio Prates da Silveira. Simplesmente, porque o homenageado, meramente, era um coronel nomeado para o cargo pelos ditadores militares que mandavam no país. Um gaúcho sem nenhuma ligação com os candangos e que jamais pisara em um campo de futebol por aqui. E sugeri que o estádio fosse chamado de Mané Garrincha, porque este não tinha nenhuma “casa da bola” em sua honra.

Na terça-feira 25 de janeiro de 1985, cinco dias após o “passarinho” Garrincha bater assas e pousar no Céu, a Associação Brasiliense de Cronistas Desportivos-ABCD, da qual sou o associado Nº 27, levou aquela minha ideia ao governador José Ornellas, que topou e assinou decreto, em julho da mesma temporada, criando o Estádio Nacional Mané Garrincha.

Inaugurado em 1974, por Ceub x Corinthians, o local passou por reformas e foi reinaugurado, em 1983, por Seleção Brasiliense x Seleção Brasileira de Novos. Em 2007, o governador José Roberto Arruda lançou o projeto do “novo Mané”, visando Copa do Mundo-2014. Em 18 de maio de 2013, Agnelo Queiroz o inaugurou, na presença da presidente da república, Dilma Roussef, e com o prélio Brasiliense x Brasília.

Iniciei a minha carreira de jornalista esportivo, em 1975, aqui no JBr, e o meu primeiro jogo como repórter foi no “velho Mané”, um amistoso Ceub x Vasco da Gama. E vivi muitas emoções na casa, até assistindo gol de placa marcado por Pelé. No entanto, só ontem, o sábado 13 de agosto de 2016, três anos após a inauguração, fui ao novo estádio, pela primeira vez, mesmo sendo o padrinho do seu nome e historiador do futebol brasiliense . Mas nada de assustador, pois já estou aposentado da vida de redação. Só escrevo colunas, que as envio por e-mail.

Neste retorno – olímpico, vale ressaltar –, comprei o último ingresso disponível para torcedores de “terceira idade”, por R$ 100 reais, e testemunhei a seleção alemã goleando a portuguesa, por 4 x 0. Saí do muito bonito e moderníssimo Mané prevendo que, se aquela rapaziada impiedosa chegar a uma eventual final contra os brasileiros, seguramente, o escrete canarinho terá muito trabalho para passar perto da mina de ouro. Os gringos formam um time pesado, muito bem armado, que não entrega a bola e nem erra tantos passes, como o nosso. Mas, como dizem que Deus é brasileiro, embora não citem de que cidade, se ele for baiano, seria bom fazer uma tabelinha com Ojuabá de Xangô, para o feitiço não virar contra o feiticeiro. Olimpicamente, falando! A alemãozada é da pesada!

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