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Brasília

Mais sete escolas passam nesta segunda-feira pela Marquês de Sapucaí

Arquivo Geral

04/03/2019 15h24

Tomaz Silva/Agência Brasil

Andreia Salles, Jorge Eduardo Antunes, Paulo Gusmão e Soraya Kabarite
Especial para o Jornal de Brasília

A Avenida Marques de Sapucaí recebe, hoje, mais sete escolas de samba para a segunda noite de desfiles do Grupo Especial. São Clemente, Unidos de Vila Isabel, Portela, União da Ilha do Governador, Paraíso do Tuiuti, Estação Primeira de Mangueira e Mocidade Independente de Padre Miguel vão passar no segundo dia de um carnaval inchado de agremiações após a virada de mesa do ano passado.

Na ocasião, a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) decidiu que nenhuma das agremiações cairia para o Grupo de Acesso por conta do desastroso desfile da Acadêmicos do Grande Rio, o que ajudou também a manter na elite do samba o outrora tradicional Império Serrano.

Nesta segunda noite de desfiles, a primeira a passar é a São Clemente, 11ª no ano passado. O enredo “E o samba sambou”, desenvolvido pelo carnavalesco Jorge Silveira, o mesmo do ano passado, é a reedição do Carnaval de 1990, que fez bastante sucesso naquela época. E, claro, critica o modelo atual do samba, excessivamente mercantilizado e com personagens secundários colocando de lado os verdadeiros astros da festa, os sambistas. De quebra, a São Clemente promete revisitar os carnavais antigos.

Logo depois é a vez da tradicional Unidos de Vila Isabel apresentar o enredo “Em nome do pai, do filho e dos santos, a Vila canta a cidade de Pedro”, do carnavalesco Edson Pereira, campeão do Grupo de Acesso em 2018 com a Viradouro. Trata-se de uma homenagem à cidade de Petrópolis, construída por imigrantes e adotada pelo império brasileiro no século retrasado. A escola campeã em 1988, 2006 e 2013 quer se recuperar dos maus momentos do desfile passado, quando ficou em nono lugar.

A passagem da Portela, quarta colocada em 2018, promete muitas emoções. O enredo deste ano, da campeoníssima carnavalesca Rosa Magalhães (ostenta sete títulos no Grupo Especial), leva o nome de “Na Madureira Moderníssima, hei sempre de ouvir cantar uma Sabiá”, uma homenagem à cantora Clara Nunes, falecida em 2 de abril de 1983. A carnavalesca promete contar a carreira de Clara desde a chegada a Madureira, bairro da Portela, seu encantamento com a escola, sua religiosidade e obra. “Ela era uma coisa rara, era uma mulher que cantou samba enredo na avenida”, detalha Rosa Magalhães.

A União da Ilha do Governador, quarta agremiação a desfilar, propõe uma viagem à cultura do Ceará com o encontro de dois mitos da literatura do estado, Rachel de Queiroz e José de Alencar. O carnavalesco Severo Luzardo foca nos livros para mostrar um Ceará guerreiro, glorioso e pujante. Décima colocada ano passado, a pequena escola insulana tem como maior objetivo se manter na elite do samba.

Tuiuti insiste no tom político

A Paraíso do Tuiuti, a surpreendente vica-campeã do carnaval do ano passado, volta a apresentar um enredo político. O carnavalesco Jack Vasconcelos leva à avenida o enredo “O salvador da pátria”, que conta a história do bode Ioiô, que perambulava por Fortaleza, capital cearense, e foi “eleito” vereador em 1922, em protesto da população contra os políticos – o animal foi empalhado e doado ao Museu do Ceará, em 1931. O enredo também passeará pela famosa Feira de São Cristóvão, reduto dos migrantes nordestinos no Rio de Janeiro.

A multicampeã Mangueira, quinta em 2018, vem com o enredo “História pra ninar gente grande”, do carnavalesco Leandro Vieira, que promete homenagear heróis esquecidos da história. Para embalar, um samba que cita até a vereadora Marielle Franco, assassinada a tiros em 14 de março do ano passado.

Sexta ano passado, a Mocidade Independente de Padre Miguel fecha os desfiles com o enredo “Eu Sou o Tempo. Tempo é Vida”, do carnavalesco Alexandre Louzada, que fala da relação entre o homem e a passagem de anos, meses, dias, horas, minutos e segundos.

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