Mais duas mães que estavam com os filhos internados na Unidade de Terapia Neonatal (UTI) do Hospital Regional de Ceilândia (HRC) voltam para casa sem seus bebês. Uma delas, Bruna Gonçalves, deu à luz Breno – enterrado ontem – em 30 de março. Ele nasceu após seis meses de gestação e precisou ser internado.
Uma semana depois apresentou contaminação pela bactéria Serratia marcescens, responsável pelas mortes, confirmadas pela Secretaria de Saúde, de três crianças. Bruna acredita que Breno foi mais uma vítima do caos na UTI neonatal reaberta sexta-feira.
Segundo ela, uma médica havia dito que era possível que seu filho estivesse contaminado pela bactéria, mas a equipe que atendeu Breno negou ser essa a causa da morte. “Ele apresentou os sintomas que as crianças com bactérias apresentaram: diminuição do número de plaquetas e complicações respiratórias. Depois que ele morreu só me disseram que ele teve uma parada cardíaca e falência dos órgãos”, conta.
Bruna declara que, desde o início, fez os exames pré-natal e que eles não apontaram problema. “Por que só agora, depois da morte do meu filho, passaram a suspeitar disso?” Ela diz que a equipe do HRC fez de tudo para que seu filho sobrevivesse, mas “as condições desumanas a que eles se submetem” podem ter sido decisivos para o pequeno Breno morrer.
Laudo
O pai da criança Michael Marques de Azevedo, 21 anos, pegou a certidão de óbito no HRC. Segundo o documento, a causa da morte está “a esclarecer”. “Talvez eles estejam abafando o caso”, disse. Michael pretende levar o caso ao Ministério Público. Bruna Gonçalves conta que nos primeiros dias seu filho apresentou inchaço no cérebro. “A equipe me dizia que meu filho estava em coma, mas não sabiam dizer o motivo, só que ele poderia ter tido hemorragia no cérebro, mas que só um neurologista poderia dar o diagnóstico correto”, diz Bruna.