Patrícia Fernandes
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Precariedade. É a palavra que melhor define a situação encontrada na garagem do Grupo Amaral, em Planaltina. O cenário, mostrado e debatido em larga escala nos últimos dois dias, é chocante. Os ônibus sucateados da Rápido Brasília, Viva Brasília e Rápido Veneza são o retrato fiel da crise da mobilidade urbana presente em larga escala na capital federal.
Em Planaltina, 22 veículos encontram-se em estado de perda total. Em Sobradinho, a realidade não é diferente: 39 veículos estão sem conserto. No Paranoá, são 30 ônibus encostados. De acordo com os últimos números divulgados pelo GDF, apenas 186 ônibus dos 446 existentes na frota estão circulando normalmente.
Diante do cenário assustador, o questionamento de como a situação chegou a esse ponto é inevitável. Além da falta de manutenção, a negligência da empresa ocasionou o desespero dos funcionários. O Estado também tem culpa, pois poderia ter agido antes.
“Com a falta de gestão, os funcionários não sabiam o que fazer para continuar trabalhando e acabavam tirando daqui, colocando ali. Com isso, o problema não era resolvido, apenas mudava de lugar”, afirmou Bruno Rodrigues, que coordenava a garagem. Ele disse que o empenho dos funcionários em prestar um serviço de qualidade é expressivo. “O pessoal tem vontade de trabalhar, mas falta a gestão”, afirmou.
Um funcionário da empresa, que não quis se identificar, afirma que o descaso com os veículos é reflexo do tratamento dado aos que trabalham nas empresas. “Não temos estrutura para levar um serviço de qualidade aos passageiros. Fazemos o que está ao nosso alcance, mas é difícil”, lamentou. Segundo ele, a expectativa dos funcionários é de que a medida tomada pelo GDF melhore as condições de trabalho e os serviços prestados.
Assunção
O mecanismo adotado pelo GDF de assumir a gestão dos serviços prestados pelo Grupo Amaral está previsto na Lei Orgânica do DF, onde é denominado de “assunção” dos serviços. O objetivo do governo é manter a operação e fazer valer as obrigações das permissionárias. Para isso, abriu uma linha de crédito para custear despesas emergenciais, num limite de R$ 15 milhões.