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Brasília

Máfia das funerárias: clínica é fechada após operação que prendeu médico

Arquivo Geral

27/10/2017 16h48

Foto: John Stan

Jéssica Antunes
jessica.antunes@grupojbr.com

Uma clínica funerária no Pró-DF do Setor P Sul, em Ceilândia, foi fechada como desdobramento da Operação Caronte. Ela tinha como responsável técnico o médico Agamenon Martins Borges, preso preventivamente na manhã dessa quinta-feira (26) pela Polícia Civil do Distrito Federal, suspeito de emitir atestados de óbito de forma fraudulenta. O local, que não foi alvo da investigação, poderá reabrir quando tiver novo médico.

Mesmo com o homem preso, a Secretaria de Saúde informou inicialmente ao Jornal de Brasília que não havia nenhuma irregularidade identificada pela Vigilância Sanitária na Tanatos Brasília. Na manhã desta sexta-feira (27), porém, a ausência do responsável técnico motivou a interdição da clínica. Outras funerárias devem ser vistoriadas.

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A reportagem não conseguiu contato com Maria Ivanilde, dona do estabelecimento que prepara corpos para sepultamentos. Ontem, ela afirmou ter recebido a notícia da prisão de forma inesperada e negou conhecimento de qualquer ato ilícito. “Se é legista e atua, ele teve permissão do conselho. Não tenho a ver com o que ele fez de errado. Embora assine pela clínica, fui pega de surpresa”, disse.

De acordo com ela, a clínica não trabalha com nenhuma das três funerárias citadas na investigação. Agamenon não ficava diariamente na funerária. No local, funcionários informaram que ele ia uma vez por semana “assinar termos”.

Pente-fino

Agora, a Vigilância Sanitária deve fazer um pente-fino nas funerárias da cidade. “Cada regional de saúde possui um Núcleo de Vigilância Sanitária. Diante da denúncia da operação, os núcleos farão uma análise para identificar quais outras funerárias o profissional é Responsável Técnico, após a análise e identificação dos estabelecimentos, eles serão inspecionados”, informou a pasta, em nota.

Operação Caronte

Dois grupos criminosos ligados ao ramo de serviços funerários de Taguatinga e Samambaia (Pioneira, Universal e Santa Cruz), atuavam interceptando o rádio da polícia atrás de mortes naturais. Com dados das famílias, chegavam antes do IML, se passavam por agentes públicos e ofereciam o serviço. Segundo investigadores, criminosos afirmavam que o processo seria mais rápido e “menos doloroso”.

Assim, conseguiam convencê-las a cancelar a solicitação do Rabecão, o serviço de recolhimento de mortos do IML. Em outra frente, tinham informantes em hospitais, de onde partiam as notícias de mortes. Eles foram desarticulados e presos pela Corregedoria-Geral da PCDF, com apoio do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

Era função do médico, Agamenon Martins Borges, fornecer o atestado de óbito. “Muitas vezes eram falsos, sem sequer o exame presencial obrigatório segundo o código de ética médica”, revela o delegado. Cada atestado de óbito custava R$ 500.

O ciclo se encerrava com as funerárias, que retornavam para as famílias e confirmavam a informação. “Aproveitando um momento de luto e fragilidade, ofereciam o serviço superfaturado e ilegal”, contou o delegado Marcelo Zago, da Corregedoria da PCDF. Os valores dependiam do nível econômico das vítimas e variam de R$ 1,4 mil a R$ 8 mil pelo pacote completo.

As investigações duraram cerca de um ano e a estimativa é que centenas de pessoas tenham sido vítimas. A Polícia Civil espera que a deflagração da Operação identifique mais envolvidos e vítimas do esquema criminoso.

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