Jéssica Antunes
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O médico Agamenon Martins Borges, suspeito de participar da organização criminosa especializada no mercado da morte, teve a liberdade provisória decretada. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada na manhã desta sexta-feira (27) pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. Na ocasião, foi estipulada fiança no valor de R$ 937 pelo porte ilegal de arma de fogo, encontrada durante cumprimento de mandado de busca e apreensão. Apesar disso, ele segue preso preventivamente por força de mandado emitido durante a Operação Caronte.
A sentença de liberdade provisória diz respeito à pistola encontrada na casa do médico na quinta-feira, mas não o tira da prisão. Isso porque ele responde a mais de um crime. No caso específico, a juíza Vivian Lins Cardoso Almeida entendeu que não houve violência ou grave ameaça. Ela instituiu, então, medidas cautelares. No entanto, segundo a Polícia Civil, ele será mantido preso preventivamente pela participação na máfia das funerárias. Além do porte de arma, ele deve ser indiciado, com os outros presos, por associação criminosa, estelionato, crime contra o consumidor e falsidade ideológica.
Era função do médico fornecer o atestado de óbito para o esquema criminoso de dois grupos criminosos ligados ao ramo de serviços funerários de Taguatinga e Samambaia (Pioneira, Universal e Santa Cruz). Eles interceptaram o rádio da polícia atrás de mortes naturais. Com dados das famílias, chegavam antes do IML, se passavam por agentes públicos e ofereciam o serviço. Segundo investigadores, criminosos afirmavam que o processo seria mais rápido e “menos doloroso”.
Assim, conseguiam convencê-las a cancelar a solicitação do Rabecão, o serviço de recolhimento de mortos do IML. Em outra frente, tinham informantes em hospitais, de onde partiam as notícias de mortes. Eles foram desarticulados e presos pela Corregedoria-Geral da PCDF, com apoio do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), na quinta-feira (26).

Breno Esaki/Jornal de Brasília
Histórico
Conforme mostrou o Jornal de Brasília hoje, o doutor já prestou serviços ao IML e foi demitido da instituição na década de 1990, por motivos não informados pela Polícia Civil. No ramo da medicina, ele foi dono de uma clínica em sobradinho, aberta em 1996, médico sanitarista no Hospital Regional do Guará e passou em concurso do Hospital das Forças Armadas em 2009.
Formado também em direito, Borges tem registro ativo na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF). Em 1994, registrou-se como candidato a Deputado Distrital pelo PSDB na chapa que tentou eleger Maria de Lourdes Abadia. Na legenda, também atuou como membro-titular do Conselho de Ética e Disciplina. Em 2002, prestou concurso para Juiz substituto do Tribunal de Justiça do DF. Nos governos Roriz e Abadia, em 2006, atuou como administrador-regional do Paranoá. Ele ainda responde a um inquérito por homicídio.
Hoje, segundo a PCDF, ele tem uma clínica particular em Formosa (GO), atende em uma unidade pública de Céu Azul (GO). Embora filiado de forma mais habitual a uma das funerárias, o médico estava disponível para outras empresas, que o procuravam para o serviço. Havia até terceirização da função a seu sobrinho e assistente. A atuação, então, se estende a empresas não investigadas na operação.