Bruna Sabarense
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“Gentileza gera gentileza”. Essa é a frase usada em um cartaz na recepção do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). E foi com esse cartaz que a professora universitária Ana Maria Monteiro, 50 anos, se deparou na última sexta-feira, quando foi informada que o filho, Rodrigo Monteiro de Carvalho, 20 anos, havia sofrido um acidente. Ele fazia uma trilha com um amigo em uma cachoeira próxima a Brasília, e com a queda de mais ou menos 20 metros, foi levado, às pressas, pelo Corpo de Bombeiros ao hospital.
A família da professora tem plano de saúde e uma boa condição de vida, por isso, tratou, logo, de transferir Rodrigo para um hospital particular. Mas o pouco tempo que passou no HBDF serviu para que ela constatasse a realidade da maioria das pessoas que depende dos serviços do hospital público. “Precisam urgentemente humanizar o atendimento no HBDF. As pessoas precisam ser tratadas como seres humanos”, desabafa. Enquanto relata os fatos ocorridos nas horas que passou por lá, Ana Maria mostra que na teoria “gentileza gera gentileza”, mas, na prática, os funcionários passam longe de aplicar a regra na rotina hospitalar.
O susto
“Por volta das 14h de sexta-feira, eu e meu marido, Helvécio, estávamos em casa, quando a mãe do amigo de meu filho na trilha deu pessoalmente a notícia do acidente de Rodrigo. Ele foi levado de helicóptero ao HBDF, onde deu entrada com o quadro estabilizado pelos bombeiros e tomando soro por uma sonda no braço. Helvécio foi o primeiro a entrar e ver Rodrigo. Antes que eu entrasse, ele me alertou sobre o estado físico em que nosso filho se encontrava e sobre as condições do hospital: ‘Parece uma praça de guerra’. Macas espalhadas por todos os lados, pessoas acomodadas em bancos e no chão, acompanhantes lutando por uma informação, pacientes com dor sem medicação.”
Trabalhando pelos funcionários
“Rodrigo precisou fazer Raio-X, pois, além do rosto muito machucado e suturas em vários pontos do corpo, sofreu uma fratura na região cervical. Quem ligou a máquina de Raio-X foi meu marido, e foi ele também quem posicionou e segurou Rodrigo enquanto ele fazia a radiografia. Terminado os exames, os atendentes me entregaram as imagens do resultado e, para a minha surpresa, me mandaram empurrar a maca até o box de emergência. No box, três funcionários, que eu deduzo serem residentes, avaliaram as imagens e disseram que ele teria que passar por uma avaliação neurológica.”
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