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Brasília

Mãe de 12 filhos, maranhense pioneira vive há 64 anos no Núcleo Bandeirante

Redação Jornal de Brasília

25/07/2025 12h56

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Por Lara Monteiro
Agência de Notícias CEUB

Numa rua tranquila do Núcleo Bandeirante, vive uma mulher que carrega quase um século de histórias. Ali, na mesma casa simples e acolhedora, ela mora há 64 anos, atravessando mudanças de cidade, gerações e modos de vida. Seu lar, que tantas vezes precisou se transformar para abrigar não apenas filhos, mas também famílias inteiras recém-chegadas a Brasília, é testemunha silenciosa de uma existência feita de força, fé e generosidade.

Matriarca de doze filhos — onze biológicos e uma adotiva —, construiu uma família grande e espalhada, mas sempre ligada pela memória de uma casa onde todos cabiam — ainda que, às vezes, fosse preciso passar por cima de camas para chegar ao banheiro, como lembra seu filho mais novo, Henrique da Silva.

Seu nome é Raimunda Oliveira da Silva — mas poucos a conhecem assim. Para todos, ela é Dona Doquinha. “Aquela que acolhe, que orienta, que não se deixa dobrar pela passagem do tempo. É quem abriu as portas de sua vida a quem precisasse, muitas vezes dividindo o pouco que tinha com quem chegava sem nada”, ressalta sua vizinha Rose Mary. 

“Nasci no interior do Maranhão, em uma fazenda onde o trabalho duro fazia parte da rotina, e eu  vivia entre 11 irmãos”, recorda Dona Doquinha, com os olhos de quem sabia desde cedo que a vida exigiria dela muito mais do que delicadeza. Ainda jovem, conheceu aquele que seria seu companheiro por toda a vida e, juntos, criaram seus primeiros filhos ainda na terra natal, até que, em 1961, decidiram partir em busca de novos horizontes. Foi em Brasília, então recém-fundada, que fincaram raízes.

Com seis filhos pequenos nos braços e coragem no peito, ela recomeçou do zero. Mais cinco crianças nasceram já na nova capital, num tempo em que as ruas ainda eram de terra e as casas, erguidas na força dos que acreditavam em dias melhores.

Dona Doquinha segue vivendo no mesmo endereço. Passou por uma grande provação, em uma queda no banheiro quebrou o fêmur e três costelas. Passou por tratamentos longos, mas nunca perdeu a vontade de lutar nem o prazer de conversar e contar histórias. Uma guerreira, como tantos a definem, forjada pela simplicidade e pela resistência.

Herdou uma força de sua mãe, que viveu até os 102 anos, e que ela hoje, prestes a completar 99 anos, passa para seus filhos, netos, bisnetos e tantos outros que cruzaram a sua porta.

Dona Doquinha é mais que uma mulher de quase um século. É um alicerce, uma história viva de como o amor e a coragem podem atravessar gerações.

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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