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Luto

Arquivo Geral

08/07/2016 7h00

Atualizada 07/07/2016 23h31

Apenas para não deixar esquecer (se é que isso é possível…): hoje completamos dois anos do 7 a 1 na Copa do Mundo de 2014. O maior vexame da história do futebol brasileiro. E nada mudou, ou melhor, só fizemos piorar desde então.

Inversão

O Ypiranga, de Erechim (RS), ocupa a quinta colocação de seu grupo na Série C do Brasileiro. Hoje o time gaúcho não passaria para a próxima fase da competição. Mas na Copa do Brasil o “canário”, como é conhecido (seu uniforme é verde e amarelo), chegou à terceira fase e, nesta quarta-feira, enfrentou, em Volta Redonda, o Fluminense. Pelo investimento, pela tradição, por jogar em casa, não preciso nem dizer que o tricolor carioca era o franco favorito, não é mesmo? Pois bem… O Fluminense, depois de estar perdendo por 1 a 0, saiu de campo com um suado empate de 1 a 1, vendo o displicente Cícero, mais uma vez, perder um pênalti – convém dizer, para justiça dos fatos, que com menos de 30 minutos de jogo Levir Culpi, treinador da equipe carioca, já havia perdido dois jogadores (Wellington Silva e Gustavo Scarpa) por contusão.

Os (poucos) torcedores presentes, claro, protestaram. De forma pacífica, bem diferente do grupo de vândalos que na véspera chegou a quebrar vidraças do ônibus que conduziu o time para a cidade do Sul fluminense. E qual foi a reação dos jogadores do Fluminense? Criticar a torcida. Osvaldo, um dos que há tempos corre para não chegar e quando tem chances de marcar chuta sem vontade, afirmou que “torcedor que é torcedor apoia nos momentos difíceis”. Jonathan, que até hoje não disse a que veio, seguiu a mesma linha, apesar de reconhecer que a torcida tem o direito de reclamar. E muitos outros se mostraram “irritadinhos” com o fato de serem cobrados pela falta de interesse e dedicação.

O colunista sempre foi, e será, contrário à violência. Mas gritar, xingar, pedir dedicação, é o mínimo que um torcedor pode fazer pelo seu time do coração. Há tempos, repito, os jogadores do Fluminense demonstram total desinteresse com o desempenho apresentado em campo. Antes, diziam, queriam derrubar Fred, que teria um grupo para chamar de seu. O artilheiro foi embora, e agora? Estão insatisfeitos com a direção? Existem salários atrasados, promessas não cumpridas? O jogador precisa ser profissional o tempo todo, não apenas para reivindicar seus direitos. E precisa entender que o torcedor está ali como um ouvidor, um fiscal, cobrando quando diretores incompetentes (e o Fluminense está cheio deles – como, aliás, diversos outros grandes clubes brasileiros) não o fazem.

Eu avisei…

Reproduzo aqui, com direito ao título e tudo mais, parte da coluna de 1º de julho, escrita por este colunista, neste mesmo espaço: “Muita calma – O estilo “xerifoso” de Maicon pode até agradar à torcida do São Paulo, mas é bom a comissão técnica, em especial o treinador Edgardo Bauza, dar uma conversada com o zagueiro, finalmente contratado. Na partida contra o Fluminense ele cometeu um pênalti claro que só o apitador não viu. Na realidade, ele não cometeu o pênalti, ou melhor, explicando a ironia: antes, bem antes, ele deveria ter sido expulso por faltas praticadas e violência exagerada, logo, não estaria em campo para cometer a penalidade. Talvez tenha sido este o raciocínio do árbitro. Mas para um time que terá um jogo duríssimo, na próxima quarta-feira, pela Libertadores, contra o Atlético Nacional, da Colômbia, este tipo de valentia pode custar caro – e desfalcar o São Paulo por indisciplina”.

E o que foi que aconteceu na partida contra o Atlético Nacional, diante de mais de 61 mil torcedores (os lamentáveis fatos ocorridos após a partida são motivo para outra discussão)? Bem, o “xerifoso” decidiu que era mais valente do que todos os demais, deu um safanão num jogador colombiano (Borja, que ironicamente depois marcaria os dois gols da vitória de seu time) e, claro, foi expulso, prejudicando o São Paulo que acabou levando 2 a 0 dentro do Morumbi e está a um passo da desclassificação na Libertadores da América. Não querendo ser chato, mas tendo certeza de que o sou, repito: eu avisei que isso iria acontecer. Só não se preveniram porque não quiseram. Agora, lamentem o resultado e o desfalque na próxima decisiva partida.

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