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Brasília

Luta contra a obesidade começa pela postura dos pais, alertam especialistas

Arquivo Geral

11/08/2012 9h00

Vinícius Borba
vinicius.borba@jornaldebrasilia.com.br

 

Alimentação industrializada, falta de exercícios físicos e refeições em horários desregrados são os principais vilões da obesidade infantil. Nesta semana, o caso do pai que registrou ocorrência contra a ex-mulher e os avós da filha por maus-tratos, por estarem supostamente dando alimentação que   engordava a criança excessivamente, levantou a polêmica também nas ruas de Brasília: qual o caminho para evitar o problema? Segundo dados da Secretaria de Saúde do DF, uma em cada três das crianças da capital federal está  em condições de sobrepeso ou obesidade.

 

 A timidez e graça da pequena G., de quatro anos, não demonstram o risco que a pequenina corre devido à elevada taxa de colesterol que apresentou no início deste ano. Surpresa para os pais, que acreditavam na condição de perfeita saúde de sua menina. “Tivemos que rever tudo. Nossos hábitos, a quantidade de festinhas que ela frequenta, as pizzas de fim de semana. E é muito difícil negar qualquer coisa para a minha bebê. Temos que, sem radicalizar, conseguir controlar”, conta a mãe, Joana (nome fictício). G. chegou a pesar aproximadamente 30 quilos, quando o ideal para saúde dela, que mede cerca de um metro de altura, gira  em torno de 17 quilos.

 

A chefe do Setor de Nutrição do Hospital Santa Helena, Sabrina Mendonça, lembra que a postura da família é um dos principais fatores para a vitória ou fracasso das dietas dos pequenos. “A participação da família pode ser crucial. Até porque não adiantaria exigir de uma criança que coma uma salada, enquanto o adulto devora um cheeseburguer do lado”, afirmou.

 

 

Segundo a médica e coordenadora do Setor de Endocrinologia da Secretaria de Saúde do DF, Lilian Paes Leme, o controle dos pais pode evitar  doenças cardiovasculares graves, diabetes e até câncer. “Vemos este número crescente de casos de obesidade na infância. Mas a pior consequência será provavelmente com o passar dos anos, já que muitas das crianças com sobrepeso podem chegar à fase adulta com este problema e  correr mais riscos  pelo  descontrole  alimentar”, explica.

 

  Para ela, a saída precisa passar pelos aspectos familiares, como no caso de G., mas também por uma mudança de cultura de trabalho e organização do tempo dos pais, que detêm essa responsabilidade com a criação. “O caso do pai que registrou a ocorrência no Paraná é um extremo, mas esperar chegar a ele pode ser um erro que leva as crianças a lugares piores do que os pais podem chegar”, afirmou.

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