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Brasília

Lucas Ladeira: o orgulho de ser ceilandense

Fundada em 1971, a região administrativa do Distrito Federal comemora seu 51º aniversário neste domingo (27)

Redação Jornal de Brasília

27/03/2022 7h30

Foto: Arquivo Pessoal

Por Gabriel de Sousa
redacao@grupojbr.com

A região administrativa com mais habitantes e a Capital da Cultura Nordestina do Distrito Federal está comemorando mais um ano de vida. Fundada em 27 de março de 1971, a Ceilândia estará completando o seu 51º aniversário neste domingo, com o direito à diversas celebrações culturais e esportivas espalhadas pela cidade.

A história da Ceilândia remonta ao início da década de 1970, quando 82 mil moradores de ocupações não regulares foram transferidos para onde atualmente é a região administrativa. O projeto de realocação que coordenou a operação se chamava Campanha de Erradicação de Invasões (CEI), que junto ao sufixo em inglês “land” – que significa “terra” em inglês – nomeou a então nova cidade do Distrito Federal.

Em cinco décadas, a Ceilândia cresceu exponencialmente, e junto a esse crescimento, o carinho dos seus habitantes pela sua cidade tornou- se cada vez mais forte . Os primeiros 82 mil indivíduos deslocados de invasões em 1971, se tornaram mais de 350 mil moradores apaixonados em 2022. Destes ceilandenses, 70% são nordestinos, que manifestam com louvor a sua cultura que é única em toda a capital federal.

Paixão de corpo e alma

Filho de um dos primeiros habitantes da Ceilândia, que em 1971 viviam nas invasões da Vila do IAPI e do Morro do Urubu, o produtor cultural Lucas Ladeira, de 27 anos, conta que a história de superação do povo local, que durante mais de 50 anos lutou pelos seus direitos, é um dos principais motivadores do seu orgulho.

Nascido e criado na região, Lucas diz ser “ceilandense de corpo e alma” e dedica ambas as partes para a propagação do valor artístico da cidade. “É o lugar que eu mais amo no mundo. Eu me sinto à vontade em qualquer quebrada daqui, seja no Pôr do Sol, no Privê, de ponta a ponta, eu me sinto muito bem”, conta.

Enquanto a alma de Lucas exala o amor pela cidade, o seu corpo tem a sua paixão registrada eternamente, já que em fevereiro de 2016, o ceilandense decidiu tatuar a Caixa D’Água, um dos principais pontos históricos da região: “A minha inspiração foi querer levar a Ceilândia comigo para o resto da vida, mesmo se eu não estivesse morando mais aqui”.

O produtor cultural diz orgulhosamente que atualmente a cidade é um grande antro de representações artísticas da capital federal. De acordo com ele, esses movimentos nasceram como uma forma de resistência popular, construída por indivíduos que por muito tempo foram “deixados de lado” pelos antigos governos locais.

“Todos os movimentos culturais que foram consolidados e criados na Ceilândia, o hip-hop, teve um pouco do rock também, ainda mais na Ceilândia Sul e no P Sul, também o forró nordestino. A gente criou isso meio que por conta própria, nos anos 70, 80, 90, o governo não ligava muito para a gente não, e mesmo assim a gente vai por nós mesmos e conseguimos nos consolidar, e hoje somos um polo de cultura dentro do Distrito Federal”, explica Ladeira.

A estudante Maria Eduarda Cidrão, de 19 anos, também teve toda a sua trajetória construída na Ceilândia, e aproveitou o aniversário da região para exaltar o seu amor pelo lugar onde nasceu. De acordo com ela, residir na cidade é ter a certeza da alta riqueza da cultura periférica, apesar das dificuldades vividas pelos moradores da região.

Para a estudante, o grande valor cultural dos habitantes está presente nas esquinas de cada rua, que ao longo dos seus 51 anos começaram a crescer cada vez mais. “As pessoas são muito batalhadoras, é muito raro conhecer uma família ceilandense que não tenha uma história de garra e superação”, conta.

Ceilândia celebra aniversário com diversos eventos

As representações culturais que compõem a história da cidade estão presentes na comemoração do seu 51º aniversário. Na terça-feira (22),um evento que contou com a realização de um workshop com canto e danças de vários estilos, como os tradicionais breakdance e house. foi inaugurado na Praça dos Direitos, administrada pela Secretaria de Justiça do Distrito Federal (Sejus/DF). O festival realizou competições abertas para o público, com prêmios de R$ 3,2 mil para os vencedores.

Ao longo da semana, a administração regional também realizou o evento “Cidade da Segurança”, onde foram reunidos representantes de órgãos de segurança pública, com a participação da Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, DF Legal, Detran e da Polícia Rodoviária Federal.

De acordo com o administrador da cidade, delegado Fernando Fernandes, neste final de semana, outros eventos esportivos e culturais serão feitos na Praça Central, que fica localizada ao lado da administração regional. Segundo ele, durante o aniversário da Ceilândia, o esporte também será impulsionado dentro das vilas olímpicas da cidade, se tornando um atrativo acessível aos moradores durante as comemorações.

O administrador comentou sobre a importância da região administrativa para o Distrito Federal, que de acordo com ele, cede um quinto das riquezas da capital federal. “Vale ressaltar a importância da nossa cidade, para o DF. A Ceilândia, mesmo após a emancipação do Sol Nascente/Pôr do Sol, continua sendo a maior cidade do DF [em população]. Temos aqui a geração de emprego e renda muito grandes, aliás, 20% do PIB do DF sai da Ceilândia”, comenta.

Fernandes diz os ceilandenses terão vários motivos para comemorar mais um ano de vida da cidade ,apesar da pandemia de covid-19. “Tivemos a inauguração de UPAS e UBS na nossa cidade, temos também a previsão da construção de novas unidades policiais, tivemos reformas de praticamente todas as escolas de Ceilândia e Sol Nascente, bem como a de pelo menos um terço dos equipamentos públicos como parquinhos, quadras poliesportivas e PEC’s para pessoas idosas e com dificuldades de mobilidade”, conclui o administrador regional.

Grupo de rap lançará música no aniversário da cidade

Entre os gêneros musicais, o hip-hop é uma das principais culturas cultivadas na região administrativa ao longo de sua história. No domingo (27), o grupo de rap local Viela 17 irá presentear a cidade com o lançamento da música ‘Ceilândia Centro’.

A produção conta com a participação do rapper Rapadura Xique Chico, e faz parte do álbum intitulado ‘Ceilândia West Side’, que está com a estreia prevista para o final deste ano. A coletânea completa terá 18 faixas, cada uma com nomes referentes aos bairros da região administrativa.

O single ‘Ceilândia Centro’ fala sobre uma cidade em transição, desde a sua criação em 1971 até os dias atuais. A música estará disponível em todas as plataformas digitais a partir do dia do lançamento, e o videoclipe, que tem como diretor Zeck Carvalho, será disponibilizado com exclusividade no canal oficial do YouTube do grupo Viela17.

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