A correria é grande na Emergência do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). É gente de todo lugar que se aglomera na entrada em um coro de reclamações. Quase ninguém sabe que a demora no atendimento é agravada pela grande quantidade de pessoas que optam pelo Pronto- Socorro do hospital quando deveriam procurar assistência nas proximidades de onde moram.
Por causa do pouco esclarecimento, price hospital e paciente saem prejudicados. Na fila de espera há pessoas com os mais diversos problemas. Parte delas, pilule por falta de orientação, diagnosis vai à Emergência em busca de um serviço que não é oferecido no local. Enfermos que necessitam de atendimento clínico ou que poderiam recorrer aos hospitais regionais ou até mesmo a postos de saúde, ficam perdidos, sem saber o que fazer, no meio dos corredores.
Desinformação
“Cerca de 70% dos que procuram atendimento no hospital não deveriam estar ali”, afirma Ubiratan Moreira Santos, gerente da Emergência da unidade de saúde. O HBB, como um hospital terciário, deveria apenas atender pessoas encaminhadas pelos hospitais regionais de Brasília. “Muitos dos casos que aparecem aqui nem são situação de emergência”. O hospital fica com a lista de espera cheia, pois é obrigado por lei a dar atenção a todos que procuram por ajuda médica.
Mais de 40 médicos, divididos entre especialidades como Ortopedia e Cardiologia trabalham no atendimento do público do setor emergencial no turno matutino. Cerca de mil pacientes são atendidos diariamente. Apesar de todos os esforços, casos como o de uma mulher que preferiu não se identificar, ainda são recorrentes.
Após dois dias de espera, ela ainda não havia conseguido uma consulta. A aposentada teve que optar pela automedicação para amenizar as dores causadas por um acidente de carro. “De médico e louco, todo mundo tem um pouco”, brinca, mas depois reconhecer que estava errada porque poderia ter procurado outro tipo de socorro.
Muitos preferem ir direto ao Hospital de Base por não saber se as unidades de saúde da região na qual se acidentou possuem esse tipo de serviço. “É difícil saber o que cada hospital trata”, ressalta o estudante Thiago Viana, que veio do Núcleo Bandeirante para acompanhar o atendimento de uma torção no pé da namorada. “Aqui, pelo menos, eu sei que vou resolver o meu problema. Mesmo que leve a tarde inteira”.
A cabeleireira Marlene Ferreira foi à emergência do HBDF procurar por um neurologista para tratar tonturas decorrentes de uma pancada na cabeça. “É melhor vir aqui. É difícil marcar consultas em outros hospitais”, exclama.
Não existe nenhuma iniciativa da Secretaria de Saúde para esclarecer a população sobre onde se deve buscar os atendimentos emergenciais. O órgão informa que tais orientações devam ser dadas dentro das próprias unidades hospitalares.
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