Comerciantes instalados no Setor de Diversões Sul e no Setor Comercial Sul denunciaram ao Sindicato do Comércio Varejista do DF – Sindivarejista – o funcionamento de uma feira instalada a poucos metros das lojas do Conic.
Ela funciona às quartas, quintas e sextas-feiras em área tombada do Plano Piloto e reúne mais de 20 boxes especializados em roupas, sapatos e outras mercadorias.
Procurada pelo Sindivarejista, a Administração Regional de Brasília reconheceu que a feira ocupa área tombada no Plano Piloto, poluindo o cenário urbano com toldos brancos.
Admitiu que, antes, os feirantes operavam na Galeria dos Estados, mas alguns lojistas dizem que eles saíram do Setor Comercial Sul, em frente ao Pátio Brasil, para funcionar perto do Conic, local de afluência acentuada de transeuntes.
A Administração de Brasília disse, também, que houve um acordo informal permitindo aos feirantes a ocupação da área sobre o gramado, mas não soube dizer se eles pagam taxas ao GDF. Lojistas apontam que cada feirante paga em média R$ 50 diários por um box e desejam saber, ainda, o custo dos toldos brancos.
Queda nas vendas
José de Sousa Pinto, dono da Golf Jeans, no Conic, diz que as vendas em sua loja caíram pelo menos 60% desde que a feira começou a funcionar. Vários comerciantes já começaram a demitir trabalhadores por conta da queda nas vendas.
“Pago R$ 7.750 de aluguel mensal e fui forçado a reduzir em quase 50% os preços de minhas mercadorias para não perder consumidores. Nâo sei como ficará o comércio aqui”, disse ele, pessimista.
O empresário Expedito Henrique de Sousa, da Styllus Calçados, atesta a queda nas vendas e a fuga de consumidores. O faturamento despencou em pelo menos 50% afetando lojas, restaurantes, bares e outros estabelecimentos que geram emprego e renda e recolhem tributos aos cofres do Governo do Distrito Federal.
Outros comerciantes do Conic também querem saber quanto custa o aluguel dos toldos e quem, de fato, autorizou os feirantes a trabalhar ali.
Cobrança
O presidente do Sindivarejista, Edson de Castro, disse hoje esperar que o Governo do DF tome “efetivas providências contra a feira do Conic, que está causando desemprego e a falência de lojas. Não é possível que uma feira ilegal prospere no centro de Brasília desafiando a fiscalização”.
Ele lembrou que no governo Arruda mais de dois mil ambulantes e feirantes foram retirados de circulação em todo o DF porque causavam concorrência desleal e predatória prejudicando o comércio legalizado. “Esperamos que o atual governo faça o mesmo para que os comerciantes não sejam mais prejudicados”, afirmou.
E finalizou: “Todo o Distrito Federal tem hoje mais de 3 mil lojas fechadas por diferentes razões, mas uma delas é a ativa presença de feiras fixas e itinerantes tanto no Plano Piloto como nas cidades-satélites, desafiando a fiscalização”.