
O problema do lixão na região do Jóquei Clube de Brasília, às margens da Estrada Parque Taguatinga (EPTG), parece ser crônico. Desde o fim do ano passado, a região não recebe limpeza e acumula entulho, pneus, restos de materiais de construção, móveis abandonados e até animais mortos, asseguram as quase 40 famílias que moram no local. Mais do que o cheiro desagradável, a população também reclama que o lixo coloca em risco a saúde da população, com a proliferação de ratos e focos do mosquito transmissor da dengue e febre chikungunya. O governo lançou ontem um plano de ação para combater essas doenças.
O JBr. mostrou o problema no Jóquei no fim do ano passado. A solução, no entanto, inclui a identificação dos responsáveis pelo depósito do entulho. Segundo os moradores, já foram vistos carroceiros, caçambas particulares e, inclusive, caminhões do governo, o que reforça a falta de fiscalização intensa na área, garante Alfredo Lopes da Silva, de 65 anos, que mora no local há mais de 40 anos e trabalha cuidando de cavalos particulares.
“Não adianta o governo limpar a área, pois no dia seguinte o lixão recomeça. Esse problema é antigo, portanto só uma fiscalização diária é capaz resolver. Esse entulho é um foco de doença para as nossas crianças, isso precisa de uma solução”, desabafa.
Já o morador do Jóquei há 47 anos Milton Felix Marques, 61, garante que já presenciou caminhões do governo jogando lixo na área diversas vezes. “Pela quantidade de entulho, seria impossível colocar a culpa apenas nos carroceiros. Eles jogam lixo, sim, mas os caminhões do GDF e caçambas particulares também fazem o mesmo”, conta.
Diante da situação, o morador Celso Chagas de Araújo, 55 anos, se vê obrigado a frequentar o lixão todos os dias para amenizar o problema. Ele assume que o local já foi limpo algumas vezes, mas reforça que isso não é suficiente. “Em uma das vezes que o governo veio retirar o lixo, inclusive, a região ficou bastante limpa, mas em poucos dias tudo voltou ao normal”, completa.
Transbordo
Segundo a líder comunitária da vila Jóquei Clube Iracema Moreira, o lixo está acumulado ali há cerca de cinco meses. Ainda de acordo com ela, na última vez que um fiscal da Administração do Guará foi fazer a limpeza da região, ele informou que a própria administração indica o lugar para transbordo, ou seja, os caminhões e caçambas são autorizados e depositar o lixo na área para depois ser recolhido.
“Portanto, a falha é da Administração do Guará, até porque são os próprios caminhões terceirizados da administração que depois aparecem para recolher o lixo. Esse problema é muito antigo e, como as pessoas sabem desse lixo, a comunidade e os carroceiros também jogam entulho”, afirma.
Falta de manutenção é negada
Ciente do problema, a Administração Regional do Guará, responsável pela região, afirma que a área é limpa semanalmente, mas alega que a comunidade já se acostumou a depositar entulho no local. “Fazemos a limpeza uma vez por semana, no mínimo. Além disso, desconhecemos qualquer tipo de autorização para caminhões do GDF depositar lixo na região. O lugar autorizado para isso ainda continua sendo o Lixão da Estrutural”, acrescenta a assessoria da administração.
Da mesma maneira, o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) informa não ter conhecimento sobre a ação de caminhões do GDF no local.
Riscos
Mais do que em qualquer outro lugar, o lixão é um ambiente ideal para a presença de focos do mosquito transmissor da dengue e da febre chikungunya, principalmente no período das chuvas.
Por isso, o GDF mostrou ontem o Plano de Ação Integrado para Minimização dos Efeitos da Dengue e da Chikungunya, no Palácio do Buriti. Na ocasião, o governador Rodrigo Rollemberg destacou que “a dengue e a chikungunya são problemas impossíveis de serem resolvidos exclusivamente pelo governo”.