Júlia Carneiro
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Com a tolerância zero aplicada por meio da nova Lei Seca, um único bombom de licor ou enxaguante bucal acusam no bafômetro um teor alcoólico maior do que o permitido. Com a regulamentação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), se o resultado for 0,05 miligrama de álcool por litro de ar ou mais, o motorista será punido de forma administrativa – ou seja, paga multa de R$ 1.915 e pode ter a carteira suspensa. Na prática, a quantia considerada pela lei é apenas uma margem de erro. O Jornal de Brasília fez o teste.
Para o Batalhão de Policiamento do Trânsito do DF (BPTran), a possibilidade de as pessoas serem pegas no bafômetro por conta destes produtos é insignificante. “É muito difícil isso acontecer. Mas também o que interessa para a lei é o álcool que vai para o organismo. Se a pessoa comer um bombom de chocolate, depois de dez a 15 minutos o teor volta a zero”, confirma Anderson de Castro Moura, tenente coronel comandante do BPtran.
Nessas ocasiões, a norma recomenda que os policiais devem esperar alguns minutos e refazer o teste. “Por isso, o condutor não precisa se preocupar. Eles têm que se preocupar em realmente não beber antes de dirigir”, diz Anderson.
Para confirmar essas possibilidades, o JBr fez dois testes com os produtos mais comentados: o bombom e o enxaguante bucal à base de álcool. Considerando a variação conforme o organismo, o teste foi feito por uma mulher e um homem.
A mulher de 22 anos, 1,70m de altura e 70 kg comeu um chocolate de conhaque. Ainda com resquícios do doce na boca, assoprou a máquina, que marcou 2,99 – o suficiente para uma prisão. Quinze minutos depois, o teste foi repetido e o resultado foi zero.
No teste do homem, de 42 anos, 1,76 m e 95 kg, a marca também foi de 2,99 – logo após fazer uso de um enxaguante bucal. Segundos depois, o nível caiu para 1,70, e depois de 15 minutos voltou para zero.