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Brasília

Legislação abre brechas para a compra e venda das réplicas

Arquivo Geral

15/01/2013 8h40

Fábio Magalhães

fabio.magalhaes@jornaldebrasilia.com.br

 

 

A venda de réplicas de armas de fogo, embora proibida desde 2003, conforme o Estatuto do Desarmamento, continua acontecendo à luz do dia no Distrito Federal. Em mãos erradas, principalmente nas de menores, estes produtos parecem inofensivos – mas causam pânico e servem para a prática de crimes, como mostrou o Jornal de Brasília nas duas últimas edições. O problema não se resume ao mau uso do equipamento, mas estende-se aos comerciantes que, sem punições, vendem os simulacros de forma indiscriminada. 

 

Pela lei, somente excluem-se da proibição de venda as réplicas destinadas à instrução, ao adestramento ou à coleção de usuário autorizado. Já as armas que não têm aparência semelhante às reais, podem ser comercializadas, mas devem  seguir uma série de normas de segurança  (leia na infografia). 

 

Conforme o JBr mostrou, com exclusividade,  o comércio destes produtos é feito sem qualquer controle na Feira dos Importados. O preço de uma arma idêntica a uma original é de R$ 60. Outras, porém, são enfeitadas com luzes, esguicham água, não têm qualquer semelhança às  reais  e podem ser vendidas normalmente. O brinquedo pode  ser adquirido a partir de R$ 1,99.

 

Dona de casa, Dejanira Alves, 45 anos, tem três filhos e não permite brincadeiras com armas de plástico. “Na minha casa não entra, porque a criança não sabe discernir e acha que isso é normal. A meu ver, isso incentiva a violência e quando adulto, ele estará acostumado com as armas”, comenta. Filho mais novo de Dejanira, Lucas Júnior, 6 anos, garante que não brinca com este tipo de produto. “ Sei que ele não causa nada, mas uma arma de verdade mata”, lembra o garoto.

 

Opiniões divergem

Mãe de duas meninas, Márcia Cristina Pereira, 29 anos, também não aprova que as filhas manuseiem armas de brinquedo. Em seu ponto de vista,  a comercialização deveria ser proibida sem  exceções. “Quando elas vão à casa dos primos, dão um jeito e brincam com estas armas. Eu, de forma alguma, permito isso em casa. Acredito que isso cria uma cultura de violência e é perigoso até mesmo por causa dos assaltos que acontecem com armas de brinquedo. Se não houvesse a venda, muito desses crimes não aconteciam”, opina a dona de casa.

 

Embora a mãe discorde, a filha, Vitória Cristina, 7 anos, revela que gosta de se divertir com armas de brinquedo. “Gosto de brincar com as arminhas, mas sei que as armas não são coisas boas. Quando eu brinco, saio correndo atrás dos outros dando tiros, e   acho divertido”.

 

Com opinião contrária, Daiane de Sousa, 24 anos, tem um filho de três anos e permite a brincadeira. Ela diz nunca ter pensado no possível impacto negativo. “Vou pensar melhor sobre isso”, diz.

 

Leia mais na edição de hoje do Jornal de Brasília

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