Em 22 dias, as ruas do Distrito Federal começarão a ser tomadas por pessoas que torcerão para suas seleções na Copa do Mundo. A estimativa do Ministério do Turismo é que aproximadamente 490 mil turistas circulem por aqui. Mas nem todo mundo está disposto a ficar em Brasília durante este período. Por isso, brasilienses programam fugir da capital e da “bagunça” que o mundial pode provocar na cidade.
Carlos Vieira, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens do DF (Abav-DF), lembra que nem todos os brasileiros gostam de futebol. De acordo com ele, o evento “vai ajudar a manter o mercado aquecido”, de forma a não restringir as viagens às cidades-sede.
Na prática, esse aquecimento varia conforme o tamanho das agências de viagens. Enquanto as menores reclamam do baixo movimento, grandes companhias estão faturando alto – especialmente com viagens internacionais. A Argentina é o país mais procurado.
Bem longe
A artista plástica Analu Mikosz, 54 anos, viajará por quatro dias para Buenos Aires, capital argentina. “Ninguém da família gosta de futebol. Não torcem, não se interessam“, esclarece, confessando que “se pudesse, ficava todo o período do evento fora”.
Ela nem cogitou passear pelo Brasil. “Os preços estão todos inflados. No Nordeste, por exemplo, os resorts dos estados que não terão jogos já estão muito caros”, justifica. Além disso, “os turistas estrangeiros, quando não tiver jogo, vão querer conhecer as cidades mais interessantes, levando a animação para todos os cantos”. O melhor, para ela, é evitar.
O destino também é a opção da jornalista Luisa Dantas, 24. Ela não quer estar em Brasília porque “além de o trânsito e o transporte ficarem ruins, os vizinhos são extremamente barulhentos”. Ela pretende gastar aproximadamente R$ 4 mil.
Alternativas mais baratas
Não é preciso ir tão longe. Cidades próximas ao Distrito Federal são opções com custos variados. Municípios de Minas Gerais, do interior de São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás são muito procurados. É o que explica o presidente da Abav-DF, Carlos Vieira, ressaltando que “as pessoas procuram fugir do grande movimento de torcedores”.
Gledstiane Laíssia, 24 anos, por exemplo, irá à Chapada dos Veadeiros, em Goiás. A estudante explica que escolheu o destino, a 260 km de Brasília, para “aproveitar o sossego, o silêncio e a natureza. Bem diferente do que estará acontecendo aqui”. Ela acredita que “a cidade vai virar uma bagunça em dias de jogos. Muitos turistas, manifestações, baderna nas ruas, pessoas bêbadas por todo lado…” e vai aproveitar para fugir disso tudo.
Investimento
Do bolso, não vai sair muito dinheiro. Ela ficará em um acampamento no qual a diária de casal custa R$ 20, com direito a banheiro e cozinha coletiva. Para chegar lá, são necessárias duas horas de viagem e, de ônibus, não deve pagar mais de R$ 40 pela passagem.
Os caminhos para as principais cachoeiras de lá não são simples. Os visitantes precisam estar dispostos a percorrer trilhas que podem ser longas e com trechos íngremes. Essa época, de estiagem, é a melhor para conhecer e visitar a região, já que o volume das águas é menor.
Um pouco mais além e com R$ 1,3 mil no bolso, o estudante Josimar Nascimento, 23 anos, vai aproveitar a Copa do Mundo para ir à Chapada Diamantina, no centro da Bahia. Ele justifica a fuga: “Brasília vai estar a maior bagunça!”. Josimar ficará em casa de família, o que diminui os custos da viagem.
Para o destino, o melhor é ir de ônibus. Com 15 horas de viagens e passagens a R$ 150, Josimar afirma que vale a pena conhecer a beleza natural da região.