Como um oásis em meio à vegetação do cerrado, o Lago Paranoá funciona como praia para os brasilienses. Alivia o ar seco típico da região, sendo palco de esportes marítimos e de diversão para banhistas. A água do lago artificial, que faz parte do cenário turístico da capital do País, deve servir, em breve, para o consumo de cerca de 600 mil habitantes do Distrito Federal. Como nova fonte de abastecimento, a Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb) acredita que deve reduzir as chances de desabastecimento previstas para 2018. As licitações devem ser concluídas ainda no primeiro semestre e, as obras, até o fim do ano.
O garçom Rafael Santana, de 31 anos, vive no Paranoá desde a infância e conhece bem o lago, que fica praticamente no quintal de casa. E aproveita os dias de folga para pescar no Parque Vivencial do Lago Norte. “Já não é mais o mesmo”, reflete. Mas mudou para melhor. Segundo ele, há bem menos lixo, água mais limpa e prática de esportes.
“Praticamente nasci aqui e venho acompanhando a limpeza e o tratamento da água. Despoluíram as nascentes, limparam tudo. Até o gosto do peixe é melhor”, avalia. Durante todo esse tempo, diz, houve uma melhora significativa. “Isso aqui era abandonado”, lembra.
“Situação muito boa”
Ele tem razão. No início da década de 1990, o Lago Paranoá viveu seu pior momento, com mau cheiro, fauna morta e água poluída, imprópria para banho. Hoje, a realidade é outra. Despoluído, sua água será usada para o consumo populacional. Todo o sistema, revela o assessor da diretoria de Engenharia e Recursos Hídricos da Caesb, Antônio Harada, custará cerca de R$ 480 milhões. “O lago está em uma situação muito boa. Não se pode comparar com o que foi há 20 anos. Todos os pontos são próprios para banho. Mas para o consumo, precisa passar por tratamento”, diz.
Segundo Harada, o tratamento investido é um dos mais avançados e, ao final, a água deve ter uma das melhores qualidades do País.
Ainda existem riscos e ameaças
Dados da Caesb apontam que a vazão da água captada pelo lago será inicialmente de 2,1 m³/s (metro cúbico por segundo), passando a 2,8 m³/s e abastecerá o lado leste do DF: Paranoá, Lago Norte, Sobradinho 2 e seus condomínios, Nova Colina, São Sebastião, Tororó, Jardim Botânico. Mas Antônio Harada garante que a obra não impactará as nascentes: “Não vai esvaziar com o consumo. O nível mínimo será mantido, como hoje”.
Apesar de a realidade ter mudado, o Lago Paranoá ainda sofre ameaças, como lixo, despejo de esgoto e assoreamento. “Ainda encontramos muito lixo. Bem menos do que havia há alguns anos, mas tem”, ressalta Samuel Silva, 27 anos, profissional de limpeza. “De vez em quando, tiramos garrafa pet e sacolas com o anzol. A sociedade também tem que colaborar!”, pede.
Os bolsões de terra também são cada vez mais visíveis e diminuem a área de navegação. A estimativa é de que o Lago Paranoá já tenha perdido cerca de 20% da superfície. De acordo com a Caesb, os trechos que mais sofrem com o processo de assoreamento são os braços que alimentam o lago do Riacho Fundo, próximo à Ponte das Garças, e do Bananal, na Ponte do Bragueto.